05.06.2009

Jornal do Senado

Caderno: Comissões

Mais apoio a empresários da Argentina e do Brasil

Aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, vai ao exame do Plenário acordo que prevê ajuda recíproca por parte de embaixadas e consulados

Empresários argentinos poderão contar com o auxílio de embaixadas e consulados brasileiros em países onde não existam representações de seu país. E empresários brasileiros terão à sua disposição a ajuda de embaixadas e consulados argentinos onde não estejam em funcionamento missões diplomáticas do Brasil. O novo mecanismo de cooperação foi aprovado ontem pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e será agora examinado em Plenário.

O apoio comercial a ser oferecido pela missão diplomática de um país aos empresários do outro país signatário incluirá a elaboração de agendas de negócios, a busca de nichos de mercado que não possam ser supridos por exportações do próprio país representado pela missão diplomática e a informação sobre o lançamento de licitações internacionais. O Projeto de Decreto Legislativo 72/09, que aprova o texto do acordo bilateral firmado em novembro de 2005, na cidade argentina de Puerto Iguazu, teve como relator Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), que integra a Representação Brasileira no Parlasul. Antes de apresentar seu voto, ele recordou ter visto na televisão, após o anúncio das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014, entrevista com um cidadão que dizia torcer por uma partida final entre Brasil e Argentina, no Maracanã. – Espero que nossas diferenças se limitem eternamente ao futebol – disse o senador, em tom de brincadeira.

 

Jornal Valor Econômico

Caderno: Brasil

Paraguai considera insuficiente oferta do Brasil

Raquel Landim

O Paraguai considerou "insuficiente" a contraproposta do Brasil sobre sua demanda de venda direta de energia no mercado brasileiro. "É insuficiente. Queremos uma integração de verdade. O Paraguai não deseja caridade", disse ao Valor o diretor paraguaio de Itaipu, Carlos Mateo.

O país vizinho quer autorização do Brasil para a estatal Ande (Administração Nacional de Energia) comercializar a parcela paraguaia de energia de Itaipu no mercado brasileiro. O governo do Brasil não concorda, porque avalia que essa mudança quebraria as regras do tratado. O Brasil ofereceu como contraoferta permitir que a Ande venda no país a energia de outras hidrelétricas paraguaias, como Icaraí e Iguassu - esta última ainda está em construção. Quando as obras estiverem finalizadas, significaria cerca de 1,3 mil megawatts de energia hora e uma receita adicional de cerca de US$ 50 milhões para o Paraguai.

Mateo disse que é um montante muito pequeno quando comparado com Itaipu e que essa energia não é contínua, mas intermitente, o que dificultaria bastante os negócios para o país no mercado livre. A hidrelétrica de Itaipu produz, por ano, cerca de 90 mil gigawatts de energia.

Negociadores paraguaios e brasileiros se reuniram ontem em Assunção para tentar avançar nas discussões. Havia uma grande expectativa em relação a reunião na mídia paraguaia, inclusive com declarações de otimismo dos representantes do governo do presidente Fernando Lugo de que um acordo estaria próximo..

 

Jornal O Estado de S. Paulo

Caderno: Economia

Argentina restringe móveis brasileiros

Setor moveleiro do país impõe redução de 35% na exportação de móveis brasileiros, em relação a 2008

Ariel Palacios

O setor moveleiro argentino, respaldado pelo governo da presidente Cristina Kirchner, conseguiu impor aos empresários brasileiros uma redução de 35% nas exportações à Argentina, em relação ao volume vendido em 2008. A porcentagem foi definida após dez horas e meia de discussões em Buenos Aires, durante as quais os empresários moveleiros argentinos tentaram levar a restrição aos móveis brasileiros a mais de 40% do total do ano passado, entre outras exigências que indignaram os produtores brasileiros.

O acordo foi assinado ontem, na sede da Secretaria de Indústria e Comércio, cenário onde hoje transcorrerão as duras negociações dos representantes dos setores brasileiros e argentinos de calçados (setor que acumula uma década de barreiras argentinas contra os calçados brasileiros), laticínios, linha branca, além de freios e embreagens. Tudo indica que o setor de calçados também será forçado a reduzir suas vendas ao mercado argentino.

Os industriais argentinos e o governo Cristina afirmam que a Argentina sofre uma "invasão" de produtos brasileiros. E dizem que, em meio à crise internacional, as empresas locais precisam ser protegidas das "assimetrias" em relação às brasileiras. As barreiras argentinas - um amplo leque que abrange licenças não automáticas, cotas, valores-critério, medidas antidumping, entre outras - atingem 14% das exportações brasileiras ao país.

O governo Cristina costuma apresentar esses acordos entre empresários dos dois lados da fronteira como uma autolimitação "voluntária" dos fabricantes brasileiros. Recentemente, o setor de baterias teve de aceitar reduzir de 1,2 milhão para 840 mil o número de baterias vendidas à Argentina do ano passado para este.

Em 2008, o Brasil exportou US$ 155 milhões em móveis de todos os tipos para a Argentina. Mas, em móveis de madeira, as vendas chegaram a US$ 41 milhões. Porém, entre janeiro e março, o Brasil só pôde vender US$ 16,5 milhões em móveis de todos os tipos. "A partir de março travou tudo", lamentou o presidente da Abimóvel, José Luiz Diaz Fernandez. "Os envios para a Argentina zeraram completamente!" O acordo sobre os móveis é válido neste ano. "Em dezembro, quando sentaremos para conversar, espero que os argentinos aceitem o livre comércio para 2010. Seria absurdo que pedissem novas restrições."