1º.12.2009

 

Jornal "Folha de S. Paulo"

 

Caderno: Dinheiro

 

EUA e Brasil trocam farpas sobre atraso no comércio

Países se acusam sobre responsabilidade pela paralisação da Rodada Doha

Desentendimento acentua clima de divergência entre EUA e Brasil, após embates sobre as eleições em Honduras e relação com Irã

LUCIANA COELHO

DE GENEBRA

Brasil e EUA subiram o tom das acusações sobre responsabilidades por paralisar as negociações comerciais globais e travaram no plenário da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio em Genebra novo round do embate que cada vez mais os contrapõem na arena internacional.

Nos discursos na sessão de abertura do evento, ontem, o secretário americano para Comércio Exterior, Ron Kirk, atacou. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, rebateu. Tudo menos de 24 horas após, em uma visita informal do primeiro ao segundo, terem falado de futebol e trocado promessas de fechar um acordo de cooperação econômica em 2010. Minutos depois, Amorim chutaria de volta: "Não é racional esperar que concluir Doha envolva mais concessões unilaterais dos países em desenvolvimento. Estamos no meio de uma crise, de uma crise de paralisia". A frase foi acrescentada à mão pelo chanceler em seu discurso preparado, no qual criticou os subsídios, só para responder ao colega.

 

Mercosul e UE querem reatar diálogo

CLÓVIS ROSSI

ENVIADO ESPECIAL A PORTUGAL

Ministros de Relações Exteriores dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e de Portugal e da Espanha decidiram ontem expressar "alto interesse político" no reinício, o mais depressa possível das negociações entre a União Europeia e o bloco de países sul-americanos em torno de uma associação inter-regional cuja cereja do bolo seria uma área de livre comércio que se tornaria a maior do mundo.

O próximo passo para retomar as negociações é definir um cronograma, o que deverá ocorrer em seguida à reunião de cúpula semestral do Mercosul, na próxima semana.

 

Jornal "Correio Braziliense"

 

Caderno: Mundo

 

Racha entre governantes

Cúpula Ibero-Americana começa com desacordo dos 22 líderes em relação às eleições em Honduras. Brasil reafirma condenação e EUA reconhecem votação como legítima

Viviane Vaz

A crise política em Honduras roubou a cena na XIX Cúpula Ibero-Americana, em Estoril (Portugal). Os 22 líderes, reunidos ontem e hoje para discutir desenvolvimento sustentável e inovação, mostraram-se divididos sobre o reconhecimento das eleições presidenciais no país caribenho, que teve como vitorioso o candidato do Partido Nacional, Porfirio Lobo. "A realização de eleições livres é uma condição necessária, mas não é uma condição suficiente para o restabelecimento da ordem constitucional", destacou o presidente mexicano, Felipe Calderón, ao recordar que, até o momento, o presidente deposto, Manuel Zelaya, não foi restituído ao poder após ter sofrido um golpe.

O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, defendeu que é preciso "um grande acordo nacional" em Honduras que conte com o "consenso centro-americano, latino-americano e europeu". Já a presidenta da Argentina, Cristina Fernández, qualificou as eleições realizadas no domingo em Honduras como "um simulacro democrático", "no marco da mais absoluta ilegalidade". O governo brasileiro também reiterou a contrariedade com o processo eleitoral. "O Brasil manterá sua posição, pois não é possível aceitar um golpe, seja militar ou disfarçado de civil, como foi o de Honduras", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Jornal da Câmara

 

Caderno: Mercado Comum

 

Escolha de brasileiros para o Parlasul pode acontecer só em 2014

A falta de uma lei para regulamentar as primeiras eleições de brasileiros para o Parlamento do Mercosul (Parlasul), que deveria ter sido aprovada neste ano gerou um impasse sobre a representação do País no novo órgão legislativo regional. Na opinião de parlamentares brasileiros que já integram o Parlasul, indicados por seus partidos, as primeiras eleições diretas poderão ocorrer em 2012, paralelamente às municipais, ou apenas em 2014, juntamente com as eleições gerais.

A definição da data só ocorrerá depois do estabelecimento das regras para a escolha dos futuros integrantes do Parlasul. A tese predominante até este momento é a de eleição por meio de listas fechadas nacionais, apresentadas pelos partidos, segundo parecer do relator do projeto de regulamentação das eleições, deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Há, também, a possibilidade de ser estabelecido número mínimo de vagas por estado brasileiro, para que todo o País se envolva no processo de integração."

 

Jornal do Senado

 

Caderno: Mercosul

 

China ganha e Brasil perde mercado na Argentina

Embaixador junto ao Mercosul apresentou a parlamentares dados que mostram crescimento da participação chinesa nas importações argentinas

A participação das vendas brasileiras no total das importações argentinas caiu de 35,5%, em 2005, para 28,8% nos cinco primeiros meses de 2009. No mesmo período, as vendas chinesas subiram de 7,8% para 12,6% das importações totais da Argentina. Os números foram apresentados a parlamentares brasileiros pelo embaixador Regis Arslanian, representante do Brasil junto ao Mercosul e à Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), durante reunião realizada ontem em Montevidéu, no Uruguai.

O desvio de comércio para a China começou a se intensificar após a adoção de medidas protecionistas pelo governo de Buenos Aires, como a demora na concessão de licenças não automáticas de importação. Em resposta, medidas semelhantes acabaram sendo adotadas pelo governo brasileiro este ano, o que motivou grande insatisfação na Argentina.

 

Jornal "Valor Econômico"

 

Caderno: Brasil

 

Argentina exige certificado de brinquedos e Brasil contra-ataca

Sergio Leo, de Brasília

O acordo entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Kirchner, para reduzir as tensões comerciais, começa a sofrer abalos antes mesmo de terminar o mês em que foi assinado: em reação a a uma nova restrição a exportações brasileiras decretada na Argentina menos de uma semana depois do encontro dos presidentes, o governo brasileiro comunicou ontem a Buenos Aires que passará a restringir as vendas de brinquedos e jogos do país vizinho ao mercado nacional.

Como o acordo firmado entre os presidentes estabelecia que haveria comunicação prévia de qualquer medida restritiva, o governo brasileiro informou que, a partir de dezembro, brinquedos, jogos e similares argentinos estarão sujeitos a licença prévia. Segundo um técnico graduado do governo brasileiro, a decisão de submeter os brinquedos e jogos argentinos a licenciamento não automático é um recado aos argentinos de que toda medida de restrição ao comércio lá será acompanhada imediatamente por outra similar, no Brasil.

 

Amorim vê criação de novo "espaço econômico do Sul"

Sergio Leo, de Brasília

A movimentação dos países pobres e em desenvolvimento em Genebra, nas reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC) de ontem abrem caminho para a criação de um novo "espaço econômico do Sul", previu o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim."As placas tectônicas do comércio internacional estão se movendo", comentou. "A era do livre comércio como pensada na década de 90 acabou, é coisa do Consenso de Washington, temos de fazer outros acordos comerciais", analisou Amorim. "Podemos até incluir a discussão sobre livre comércio, mas não posso partir para um acordo econômico dizendo que é o livre comércio ou nada."