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14/05/2013 15:40

Em seminário, LGBTs defendem Estado laico

Em seminário da Câmara, LGBTs defendem Estado laico, cobram respeito aos direitos humanos e repudiam propostas chamadas de "retrógradas". Com o slogan "Liberdades, abram as asas sobre nós", três comissões da Câmara promoveram, nesta terça-feira, um amplo debate em torno de religião e diversidade sexual.

O seminário lotou um dos plenários da Câmara. Além de parlamentares de variadas crenças, o evento contou com a presença de teólogos e representantes de movimentos sociais, do governo e das entidades da sociedade civil. Eles identificam um cenário de "fundamentalismo e intolerância religiosa", que impediria a cidadania plena e estaria na base da violência crescente contra os homossexuais.

Coordenador de promoção dos direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gustavo Bernardes admite que o fato preocupa o governo, que tem investido em ações coordenadas para enfrentá-lo.

"Quando esse fundamentalismo religioso se transforma em violência, homofobia, lesbofobia ou transfobia, isso preocupa o Estado brasileiro. Nós temos o nosso Disque Direitos Humanos, o Disque 100, que recebe denúncias. E temos apurado (as denúncias) e feito campanhas para conscientizar as pessoas de que elas devem denunciar essas violências. E também estamos construindo agora um sistema nacional LGBT, que vai articular as coordenações e os conselhos estaduais para fazer uma frente nacional de enfrentamento à violência contra a população LGBT".

Houve defesa unânime de um Estado laico, que não se paute por dogmas religiosos. O teólogo Roberto Daniel, mais conhecido como padre Beto e que acaba de ser excomungado pela diocese católica paulista, disse que a defesa da laicidade deveria partir das próprias religiões. No entanto, o ex-padre não tem muita esperança de avanços por parte das cúpulas religiosas.

"Eu aprendi cidadania na paróquia: cidadania que lutava para o bem comum de todos. Infelizmente temos hoje uma igreja de homens extremamente dogmáticos, que prefere expulsar alguém do que dialogar com esse alguém tentando amadurecer a ideia de como aceitar a diversidade sexual, por exemplo. Infelizmente, a Igreja está retrocedendo, sim. Nós estamos criando - e isso é muito perigoso - gerações jovens com cabeças extremamente inflexíveis, dogmatizadas. É seguir uma fé cega".

A Frente Parlamentar Evangélica também foi alvo de críticas devido à atuação incisiva em propostas consideradas "retrógradas" pelos homossexuais. Foram distribuídos panfletos contrários, por exemplo, ao projeto (PDC 234/11) da chamada "cura gay". O deputado Jean Wyllys, do PSOL fluminense, disse que o seminário LGBT é uma "resposta à intolerância" e visa "qualificar a atuação" dos parlamentares no debate de temas de interesse dos homossexuais.

"A cada seminário, a gente espera que a atuação dos deputados que se envolvem nele seja qualificada; e que possam sair, daí, proposições legislativas favoráveis à população LGBT. A gente não vai avançar na garantia do casamento civil dos homossexuais nem na criminalização da homofobia se a gente não enfrentar a raiz disso, que é o fundamentalismo religioso ou uma certa interpretação dos dogmas de uma religião".

A presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, Cris Stephani, se disse "envergonhada" quando políticos usam o nome de Deus no Parlamento e confundem "a liberdade de expressão com a liberdade de opressão".

De Brasília, José Carlos Oliveira


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