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19/05/2009 19h40

Dia Mundial de Luta Contra Hepatites é lembrado com ações em frente ao Congresso (03'29")

Silenciosas, as hepatites crônicas avançam no país sem que muitos brasileiros saibam sequer que estão infectados pelo vírus causador da doença. Somente aqui no Distrito Federal, segundo a Secretaria de Saúde, estima-se que 25 mil pessoas estejam infectadas pelo vírus da Hepatite C, mas menos de mil estão em tratamento.

A pedagoga Ana Paula Barcellos, de 31 anos, é uma dessas pacientes. Infectada por uma transfusão de sangue aos oito anos, ela descobriu a doença 20 anos depois, quando buscava as causas de um outro problema.

"Eu descobri por acaso, por sorte meu fígado não estava comprometido. Pena que muitas pessoas só vão descobrir quando estão com cirrose evoluindo para um câncer, porque essa é a evolução natural da doença. Por isso, é importante fazer o teste, porque, quanto antes elas puderem fazer o tratamento, maiores as chances de cura".

Apesar de ter descoberto a doença em estágio inicial, Ana Paula teve que esperar três anos para começar a se tratar, quando seu fígado já apresentava sinais de comprometimento. A pedagoga lamenta porque, por enquanto, não obteve resposta positiva ao tratamento.

O protocolo de terapia da Hepatite C adotado pelo Brasil não recomenda que todos os portadores do vírus da doença recebam medicação, como explica o coordenador do Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Ricardo Gadelha.

"Por quê? Porque o próprio organismo pode eliminar o vírus, pode progredir para cura. Outro ponto: os efeitos colaterais das drogas são muito fortes. Para você fazer tratamento, você tem que levar em consideração tanto o grau de evolução, a carga viral. Você tem que monitorar esse caso. Não esperar que se evolua para uma forma mais grave, mas até um determinado ponto em que o médico possa fazer uma intervenção terapêutica".

No ano passado, segundo Gadelha, 15 mil tratamentos de Hepatite C foram distribuídos pelo Ministério da Saúde em todo país.

No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites, a Frente Parlamentar das Hepatites e Transplantes, em parceria com o Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde do DF e o Sesi, montou, em frente ao Congresso, uma estrutura para diagnosticar a doença e também vacinar jovens de até 19 anos contra a Hepatite B. Não há vacina para Hepatite C.

O coordenador da frente, deputado Geraldo Thadeu, do PPS mineiro, lembra que, assim como no caso da Hepatite C, o diagnóstico precoce da Hepatite B também pode evitar que a doença evolua para um câncer de fígado.

"Eu fui portador de hepatite crônica em 2003, fiz meu tratamento, custava para mim R$ 5.500 por mês. Hoje, quando paciente já tem diagnóstico, comprovadamente é portador de hepatite crônica, o SUS paga. Isso é um grande avanço."

Geraldo Thadeu cobra do Ministério da Saúde, no entanto, a atualização do protocolo de tratamento da Hepatite B, para que medicamentos mais avançados passem a ser oferecidos aos doentes.

O coordenador do Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites, Ricardo Gadelha, informou que os testes sobre as novas drogas estão sendo concluídos e a previsão é de que, ainda neste semestre, as novas diretrizes de terapia sejam publicadas.

De Brasília, Ana Raquel Macedo