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17/10/2005 20h50

Paulo Rocha e José Borba renunciam seus mandatos - ( 02' 50" )

Apenas dois entre os 13 deputados acusados de envolvimento com o suposto mensalão decidiram renunciar ao mandato para escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Os ex-líderes do PMDB, José Borba, e do PT, Paulo Rocha, oficializaram a renúncia, nesta segunda-feira, poucos minutos antes do prazo final fixado pelo Conselho.

Apenas dois entre os 13 deputados acusados de envolvimento com o suposto mensalão decidiram renunciar ao mandato para escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Os ex-líderes do PMDB, José Borba, e do PT, Paulo Rocha, oficializaram a renúncia na Secretaria Geral da Mesa nesta segunda-feira, poucos minutos antes do prazo final fixado pelo Conselho. Com a renúncia, eles perdem o mandato de deputado federal, mas garantem os direitos políticos e, conseqüentemente, a possibilidade de se reelegerem no próximo ano. O advogado de Borba, Roberto Bertholdo, admitiu ter aconselhado seu cliente a abrir mão do mandato porque, segundo ele, já era possível prever uma condenação em rito sumário para o deputado.

SONORA:
"A renúncia se deveu ao fato de ele não ter tido direito à ampla defesa. Apesar de não haver nenhuma prova que indique o recebimento de qualquer valor por parte do deputado, ainda assim ele foi encaminhado para o Conselho de Ética. E, supondo que não terá direito a uma defesa ampla e dentro da legitimidade, ele optou por renunciar."

Bertholdo reclamou ainda que todos os pedidos de testemunhas, diligências e contraprovas feitos por José Borba não foram atendidos pelas instâncias de investigação da Câmara. Para o advogado, a renúncia é um exercício de direito e não uma confissão de culpa. Borba é acusado de ter sacado um milhão e cem mil reais das contas de Marcos Valério. Já o ex-líder do PT, Paulo Rocha, teria se beneficiado do mesmo esquema de caixa 2, com 420 mil reais. Rocha, que preside o PT no Pará, tornou-se o único deputado do partido a abdicar do mandato, em meio a rumores de que outros petistas acusados renunciariam. O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, do PT paulista, disse que não cogitou a hipótese de renúncia, mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal ter decidido arquivar, nesta segunda-feira, o mandado de segurança no qual os petistas pediam a suspensão da abertura de processo no Conselho de Ética. João Paulo está confiante num julgamento justo daqui por diante.

SONORA:
"Estou bastante convencido de que a Câmara fará um julgamento justo e os deputados estão tendo a oportunidade de conhecer, de fato, a minha versão sobre os acontecimentos. Então, isso me animou."

Outro petista que decidiu enfrentar o processo de cassação é José Mentor, de São Paulo. Ele ficou mais confiante na absolvição por causa de uma perícia que atestaria a autenticidade dos documentos que servem de base para sua defesa.

SONORA:
"A perícia dá veracidade a esses documentos. Portanto, estou muito tranqüilo porque aquilo que falei na véspera da primeira notícia e a nota que distribuí para a imprensa estão confirmados. Foi um trabalho jurídico com nota fiscal e com pagamento de imposto. Não tem mensalão, não tem saque em banco, não tem nada. Foi um trabalho normal de um escritório de advocacia para outro escritório de advocacia."

Mentor acredita que, a partir de agora, terá condições de convencer os parlamentares de que não tem nenhum envolvimento com o suposto esquema do mensalão.

De Brasília, José Carlos Oliveira.