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03/07/2017 07h00

Leitura - os números sobre a leitura no Brasil - Bloco 1

Você sabia que metade da população brasileira é considerada não leitora? O Brasil está em 59º lugar no teste de leitura do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). A Câmara dos Deputados analisa duas propostas para mudar essa realidade. A leitura é o tema da reportagem especial desta semana.

A Helen tem onze anos. Ela adora ler.

Hellen Kirsten Albuquerque: "Ele sugeriu uma vez, sem muita convicção, que fossem todos dormir."

A garota não é apenas uma leitora de carteirinha, mas já se tornou uma escritora e até publicou um livro.

Hellen Kirsten Albuquerque: "O que eu publiquei é sobre ser excluído. Que a bruxa. todo mundo quer saber que a bruxa era má, que não seiu o que e todo mundo a excluía. E aí a bruxa mostrou que ela era boa e todo mundo ficou amigo dela. Aí o leãozinho se achava muito pequenininho. Ele acabou virando herói!"

Cristina, mãe da Helen, claro, está orgulhosa. Ela nem imaginava que as estórias que contava à noite para a filha ajudassem a desenvolver tanta habilidade.

Cristina Albuquerque: "No caso da Hellen, foi mais eu mesmo. Porque quando ela era pequena, eu acabava lendo muito pra ela antes de dormir."

Encontrar uma criança que tenha a leitura como uma das atividades de preferência, um hobby, não é tão comum. Principalmente com a concorrência dos aparelhos eletrônicos. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostrou que quase metade das pessoas ouvidas - 44% - não leu nada nos três meses antes da entrevista. Os projetos de lei que estão sendo analisados na Câmara têm como objetivo incentivar a leitura. A estratégia é tornar o livro um bem acessível a todos os brasileiros, de qualquer idade.

O deputado Thiago Peixoto, do PSD de Goiás, é relator da Política Nacional de Leitura e Escrita na Comissão de Cultura. Para ele, é preciso estimular a leitura a partir dos primeiros anos de vida.

Thiago Peixoto (PSD-GO): "Não tem outro caminho que não seja a escola, que é onde estas crianças estão. E na sua própria casa. Mas com a dificuldade do acesso à educação que os pais não tiveram. Então, a escola vai ser o canal fundamental para fortalecermos as leituras. E, claro, livros nas bibliotecas."

A pesquisa do Instituto Pró-Livro também mostrou que o estímulo, especialmente na infância, faz muita diferença para adquirir o gosto de ler. Para um terço dos entrevistados, alguém incentivou a leitura.

A coordenadora da pesquisa, Zoara Failla, ressalta a importância dos mediadores da leitura.

Zoara Failla: "Em qualquer momento da vida é importante ter mediadores e ter pessoas que apresentem bons livros, que estimulem, mobilizem as pessoas a ler. Mas, sem dúvida, acho que é enquanto criança que você tem mais facilidade pra isso."

E a pessoa que mais influencia esse hábito é a mãe. João Pedro confirma essa verdade da pesquisa. O jovem escritor, que está prestes a ver publicado o primeiro livro, foi estimulado a ler desde criança.

João Pedro Doederlein: "Minha mãe comprava o livro. E ela também gostava muito de ler. Então, ela lia comigo o livro. Então, eu tinha um pouco da preguiça da criança. Só que minha mãe lia pra mim e isso me estimulava a querer saber mais da estória. Depois de um tempo, que eu cresci um pouquinho mais, alguns anos alí, eu resolvi pegar o livro e ler também."

Outra verdade é que o hábito da leitura não vai ser cultivado se for considerado uma obrigação. A proposta da Política Nacional trata a leitura e a escrita como direitos.

Para o João Pedro e a Helen, o caminho para despertar novos leitores é oferecer produtos agradáveis.

João Pedro Doederlein: "Incentivar que a pessoa leia aquilo que ela está a fim de ler. Mas que ela comece a ler alguma coisa. Assim como nenhum leitor nasce pronto, nenhum escritor nasce pronto. É uma coisa que a gente se torna."

Pela proposta, a política nacional de leitura e escrita será promovida pelos ministérios da Educação e da Cultura, em cooperação com estados e municípios.

Os objetivos são democratizar o acesso à leitura e fortalecer o sistema de bibliotecas públicas - além de incentivar o mercado editorial.

Você pode acompanhar a discussão e dar sua opinião pelo site da Câmara: www.camara.leg.br

No segundo capítulo da série, você vai ver como a escola é importante para tornar os livros acessíveis e também ajudar a promover o hábito da leitura e da escrita.

Reportagem - Cassiana Tormín
Edição - Cláudia Lemos e Mauro Ceccherini
Trabalhos Técnicos - Heverson Gonçalves