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27/03/2017 07h01

Envelhecimento: Brasil - um país de idosos? - Bloco 1

Em 2050, um em cada três brasileiros serão idosos. Num período de 8 décadas, a expectativa de vida saltou dos 45 para os 75 anos. O Brasil, que já foi conhecido como um país de jovens, vê agora a sua população envelhecer rapidamente. E esse envelhecimento traz novos desafios, problemas e oportunidades para os governos e a sociedade. Confira na Reportagem Especial desta semana, em cinco capítulos.

O que significa envelhecer bem? E quais são os principais desafios para um país que vê a sua população envelhecer em um ritmo nunca visto antes?

Segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando ano a ano. Em 2015, chegou aos 75 anos, 5 meses e 26 dias. Em 1940, era de pouco mais de 45 anos de idade.

Em 2050, a estimativa é de que cerca de 30% da população brasileira terá mais de 65 anos.

A Coordenadora-Geral de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Maria Cristina Correa Lopes Hoffman, destacou que o envelhecimento da população no Brasil tem se dado de maneira acelerada, ao contrário do que ocorreu em outros países.

Maria Cristina Hoffman: "O Brasil vai ocupar o sexto lugar no contingente de idosos em 2025, com uma projeção de aproximadamente 32 milhões de pessoas com 60 anos. Eu costumo dizer que nós estamos, inclusive, superando as projeções do IBGE. Isso é uma coisa muito interessante, porque 13%, numa projeção feita em 2010, estava projetado para o ano de 2020, mais ou menos. Em 2014 nós já alcançamos esse percentual."

Segundo Maria Cristina Hoffman, ter mais anos de vida é uma conquista, mas também um desafio, uma vez que traz mudanças na organização da sociedade.

Maria Cristina Hoffman: "O Brasil é conhecido por uma população de jovens e esse perfil tem mudado. Então, isso implica na necessidade e na urgência que as políticas públicas também se preparem para responder às necessidades da população idosa."

Se a população do país mudou, a forma de encarar a velhice também tem que mudar. O alerta é feito pela deputada Leandre, do PV do Paraná.

Para a deputada, que é primeira vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, as ações em torno do envelhecimento têm que ir além da preocupação com a questão previdenciária.

Leandre: "Nós precisamos tratar o envelhecimento com toda a importância que ele requer e com toda a urgência que hoje essa política precisa ter aqui no Brasil. Nós precisamos ter prioridade nos temas do envelhecimento, porque é uma realidade que estamos enfrentando e não sabemos como chegaremos. Se você for falar de velhice, as pessoas não aceitam hoje, que idoso não é ele. Ele sempre aponta para o outro."

Segundo Leandre, é preciso garantir mais autonomia para os idosos, para evitar dependência de terceiros. Ela diz que as pessoas têm que viver mais, mas com qualidade de vida, e que é dever de todos olhar pelos idosos.

Leandre: "E eu entendo que é dever sim, da sociedade, da família, mas, principalmente, do poder público, olhar pelas pessoas idosas, a quem devemos o reconhecimento e a consideração, o respeito de terem os seus direitos garantidos e respeitados. Porque são todas as pessoas que, hoje, se encontram, praticamente, num mundo de invisibilidade. Milhões de brasileiros dependentes, abandonados e negligenciados."

Preocupado com essa perspectiva de envelhecimento da população, o Cedes, Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, lançou recentemente o livro "Brasil 2050: Os desafios de uma Nação que envelhece".

A publicação quer antecipar o cenário para os próximos anos e faz uma análise dos impactos da mudança de perfil populacional no Brasil, os problemas e oportunidades gerados pelo envelhecimento da população.

O trabalho foi realizado por consultores legislativos da Câmara e surgiu a partir de uma provocação da deputada Cristiane Brasil, do PTB do Rio de Janeiro. Ela pretendia que os especialistas, cada um em sua área, falassem sobre as perspectivas do envelhecimento no Brasil.

Cristiane Brasil: "É uma tentativa da gente, de uma maneira didática, de uma maneira explicativa, com bastante dados, formar um cenário, para 2050, do envelhecimento no Brasil. E oferecer dados, oferecer propostas, propostas legislativas nesse sentido, uma pesquisa do que vem sendo tratado sobre isso na Câmara, nos mais diversos aspectos, porque envelhecimento é transversal, ele não existe só na área de saúde, existe na área das relações laborais, existe na área da previdência social, que a gente vai discutir agora."

Segundo Cristiane Brasil, os políticos têm que se conscientizar que o Brasil não é mais um país de jovens e que isso traz implicações econômicas e sociais. Entre as principais preocupações levantadas no estudo do Cedes estão a previdência social; o mercado de trabalho; o sistema de saúde; a violência contra o idoso; a mobilidade urbana; a educação ao longo da vida; os direitos e garantias fundamentais das pessoas idosas e os cuidados de longa duração.

No próximo capítulo, conheça as dificuldades que os idosos enfrentam para manter a qualidade de vida em uma idade avançada.

Reportagem - Mônica Thaty
Edição - Mauro Ceccherini
Trabalhos Técnicos - Milton Santos