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07/06/2010 00:00

Pragas urbanas: dicas para evitar a presença de escorpiões e morcegos - Bloco 5

Na quinta reportagem, os reais riscos que morcegos e escorpiões representam.

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A consultora legislativa Elizabeth Veloso é um exemplo de que uma praga urbana pode nos obrigar a fazer mudanças significativas na vida. Tudo começou quando ela morava numa casa da Asa Norte de Brasília e foi fazer algo tão trivial quanto lavar um pano.

"Eu vi que tinha um bicho num pano e era um escorpião pequeno. E uma outra ocasião tinha outro bicho embaixo do carrinho de bebê do meu filho e era outro escorpião, e eu não sabia exatamente qual era o risco daquilo. Até que um outro dia eu estava em casa ouvi um barulho e aí apareceu um escorpião muito grande, amarelo, no quarto do meu filho, saiu de um bocal sem lâmpada. E aí me informei, fiquei sabendo que alguns lugares de Brasília são infestados por esses animais, especialmente na rede de esgoto, e que não há muito o que fazer a Zoonoses com relação a providências. Então decidi mudar de endereço, vendi a casa, perdi o gosto e troquei por um apartamento e decidi não correr mais aquele risco. E até hoje tomo o cuidado de manter sempre todos os ralos do apartamento onde eu moro fechados".

Para Elizabeth Veloso, as próprias companhias de água e eletricidade deveriam promover campanhas alertando para o perigo desses animais. Isso porque os esgotos e os dutos da fiação elétrica são locais onde os escorpiões são comuns. Ela lamenta que a Central de Zoonoses tenha informado que não há como resolver o problema.

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Pragas Urbanas, Sérgio Bocalini, confirma que o escorpião amarelo, tityus serrulatus, é a espécie mais perigosa no Brasil. Sua picada pode matar especialmente crianças, idosos ou quem estiver com a saúde debilitada. Um dos problemas para o controle do escorpião amarelo é que a fêmea se reproduz sem a presença do macho. Nesse processo, conhecido como partenogênese, ela consegue gerar 160 filhotes durante a vida. Também são capazes de causar acidentes graves o escorpião marrom, da espécie tityus bahiensis; o preto, da espécie tityus paraensis; e o amarelo com uma faixa marrom, o tityus stigmurus. O biólogo Sérgio Bocalini dá dicas de como prevenir a presença desses animais.

"Quando entra, ele está buscando alimentação. O escorpião adora comer baratas. Se a gente fizer o controle de baratas numa residência, automaticamente a gente vai reduzir a oferta de alimentos, então não vamos ter uma presença tão intensa. Além disso, como eles acabam entrando através dos canos pluviais, se a gente colocar ralos sifonados nesses locais, a gente vai reduzir bastante a presença deles. E aí em casos mais extremos, o aconselhável é fazer contratação de uma boa empresa para auxiliar no controle".

Vale lembrar que produtos químicos não são eficazes no combate aos escorpiões. Entulhos, que permitem aos animais ficarem ao abrigo da luz, também são esconderijos para eles, assim como túmulos mal vedados em cemitérios.

O biólogo Randy Baldresca, especialista em pragas urbanas, lembra que o escorpião tem hábito noturno. E dá uma dica importante.

"A gente evita a presença deles olhando dentro de tênis e outros objetos que a gente deixa dentro de casa porque servem como abrigo para esses aracnídeos".

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2006 o Brasil registrou mais de 38 mil acidentes com escorpião, com 30 mortes. Em todos os casos, a vítima precisa procurar imediatamente o pronto-socorro mais próximo para tomar o soro antiescorpiônico. Se possível, capturar o animal e colocar num vidro fechado ajuda a identificar a espécie.


Outro animal que costuma assustar é o morcego. Muita gente teme que os animais ataquem à noite para chupar sangue. Proprietário de um supermercado em Florestal, Minas Gerais, Miguel Saliba ficou preocupado quando precisou subir no forro de casa.

"Ficavam lá e a gente nem via, né? Teve um dia que eu tive que arrumar uns negócios lá em cima e vi que tinha morcego demais lá".

Miguel Saliba tratou de procurar ajuda para espantar os animais. O biólogo Sérgio Bocalini recomenda a contratação de empresas especializadas para desalojar os animais.

"Existe o problema da transmissão de histoplasmose através das fezes, principalmente nos forros de residência onde tem muito morcego e existe a deposição de fezes deles nesses locais".

A histoplasmose pode ser adquirida ao se respirar fungos que ficam nas fezes dos morcegos e pode matar, principalmente pessoas com baixa imunidade. Apesar de tudo isso, os biólogos afirmam que o morcego só representa perigo em casos muito específicos.

Randy Baldresca, da empresa Biópolis, tranquiliza os que têm medo de vampiros. Segundo ele, nas cidades estamos livres dos hematófagos, aqueles que se alimentam de sangue.

"A única espécie hematófaga brasileira são animais cavernosos. Não vivem na cidade, vivem apenas em cavernas em locais afastados. O morcego das grandes cidades, muito comum, é aquela raposa voadora, ele é super grande. Os hematófagos são pequenininhos, parecem ratinhos, camundongos alados".

A pesquisadora Ana Eugênia de Carvalho, do Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura de São Paulo, explica que os morcegos das cidades cumprem importantes funções na natureza, por serem predadores de insetos, polinizarem árvores e distribuírem sementes.

"O maior problema é das pessoas que tentam retirar esses animais com a mão e acabam sendo mordidos. E o vírus da raiva pode estar presente -não somente nos hematófagos, que se alimentam de sangue. Então o que a pessoa tem que fazer é não manipular esses animais sem uma proteção, uma luva de couro para evitar essas mordidas porque pode ser contaminada com raiva".

Fora esse cuidado, Ana Eugênia diz que sobra apenas o incômodo da presença do animal. Mas ela aponta alternativas simples para se livrar dos morcegos.

"Por exemplo: colocar telhas de vidro. O morcego se esconde em locais escuros. Se a pessoa troca telhas escuras por telhas de vidro, ele vai conseguir retirar esses morcegos do local, veda e acabou o problema".

Outra dica é esperar o início da noite, quando os morcegos saem do forro das casas, para vedar o ambiente.

De Brasília, Alexandre Pôrto.




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