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31/05/2010 00:00

Histórias em quadrinhos - Gibiteca: uma biblioteca só para histórias em quadrinhos (07'36")

Por todo lado, nas prateleiras, há revista de todo o tipo. Revistas velhas e novas, amassadas, rasgadas, folheadas ao extremo. Este é o panorama geral que você vê ao entrar numa gibiteca - uma biblioteca só para histórias em quadrinhos, conhecidas também como gibis ou HQs.

Nesses pequenos habitats, frequentado por amantes das histórias em quadrinhos, a diversão é certa e tem revista para todo gênero de leitor.

Há os que preferem super-heróis das comics norte-americanas, como o cientista Bruce Banner, o incrível Hulk, que se envolveu com experiência genética mal-sucedida e teve a cor da pele modificada.

Há também os que gostam de histórias com personagens mais complexos como Virgílio de Souza, professor de computação em Cuiabá, capital do Mato Grosso.

"Eu sempre gostei muito dos X-Men. Porque tem aquela coisa de poderes, das pessoas não aceitarem eles. E tem toda uma questão ética de pessoas diferentes, ética e valores. Você ser tolerante, a pessoa saber trabalhar em equipe."

E existem aqueles que gostam de enredos mais sofisticados ou humor mais cortante. As cultuadas tiras da personagem Mafalda, do cartunista Quino, seguem esta linha.

Portanto, quem pensa que as gibitecas têm apenas quadrinhos para crianças, como "A Turma da Mônica", está enganado. É o que diz a diretora da Gibiteca Henfil, do Centro Cultural São Paulo, Maria Helena Correa.

"A gente tem muitos adultos que lêem, que buscam coisas do passado. São pessoas que gostam de quadrinhos. Eu diria que é a grande parte."

A Gibiteca Henfil foi a primeira gibiteca criada dentro de um espaço público em 1991, diz Maria Helena.

No acervo da Gibiteca Henfil estão clássicos dos anos 60, época em que os gibis tinham a legenda colocada na parte inferior do quadrinho, o que tornava a leitura mais chata e mais difícil de ler.

A gibiteca é procurada por escolas e, segundo a diretora da Gibiteca Henfil, o gosto das crianças fica dividido entre os gibis japoneses, que são os mangás, e os tradicionais quadrinhos brasileiros, como Turma do Perequê e Turma da Mônica.

Maria Helena diz que o quadrinho mais lido do momento é o da Turma da Mônica Jovem, que inicialmente destinado a crianças de 12 a 13 anos tem sido lido por pequenos de 7 a 8 anos.

O mercado de histórias em quadrinhos é tão sofisticado quanto o mercado de música hoje, diz o repórter do Caderno 2 do jornal "O Estado de S. Paulo" e crítico de quadrinhos, Jotabê Medeiros.

"Ao mesmo tempo que aumentou o número de leitores, pulverizou. Você tem peqeuenos nichos. O mundo hoje com essa ultradisseminação na Internet. É o mesmo que acontece com outras artes, com a música. Você não vende mais um milhão de discos. Não existem mais cantores das multidões. Os quadrinhos seguem a mesma lógica."

Uma tendência também do mercado editorial é lançar grandes clássicos da literatura em quadrinhos. Mas será que literatura e quadrinhos se fundem num terceiro gênero? Para Jotabê Medeiros, literatura e quadrinhos são coisas diferentes.

"Eu tive um colega que escrevia sobre quadrinhos nos anos 90, Gabriel Bastos Júnior, que foi um grande repórter da área que entrevistou quadrinistas como Will Eisner, Frank Miller. Ele ficava muito irritado quando a gente pergutava se quadrinhos era literatura. Ele dizia que quadrinhos são quadrinhos. Na verdade, ele tem todas as qualidades de literatura. Hoje, tem autores que fazem alta literatura em quadrinhos. Mas ele tem algo mais que é a arte gráfica, que por seu lado também tem artistas excepcionais. Às vezes em grupo, às vezes de forma solitária."

O quadrinista Maurício de Sousa também entende que quadrinho e literatura caminham separados. Ele é criador da Mônica, do Cebolinha e de toda a turma, personagens virtuais que - além dos quadrinhos - já frequentaram as telas de cinema e das TVs do Brasil. Personagens que já são conhecidos em mais de três dezenas de países. A personagem Mônica inclusive foi escolhida como embaixadora cultural brasileira pelo Fundo das Nações Unidas para Criança e Adolescência, a Unesco.

Maurício de Sousa fala sobre os novos planos da empresa de quadrinhos que dirige e que exporta esse produto brasileira para o exterior.

"Estamos lançando as HQs no Brasil em outros idiomas, em espanhol e inglês, contribuição para as escolas de línguas. Tem desenhos animados para as TVs abertas. Parques temáticos novos. Desenhos de longa-metragem com o Chico Bento e o Horácio. A Turma da Mônica Jovem fazendo sucesso entre crianças mais novas. E vários países publicano nossas histórias. Entre Mônica e Ronaldinho Gaúcho, estamos em mais de 30 países."

Na próxima reportagem especial desta série você fica sabendo mais sobre o mundo dos gibis. Você vai conferir que muita gente começa a ler quadrinhos antes de iniciar outros tipos de leitura, incluindo os próprios quadrinistas de sucesso. Você vai ouvir também opiniões sobre se os quadrinhos formam valores pessoais entre os leitores.

De Brasília, Eduardo Tramarim.





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