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20/05/2009 00h00

Astrologia - A origem do conhecimento astrológico - Bloco 1(06'57'')

Há milênios o homem olha para o céu e se questiona. Diante de um universo tão grande, quem sou eu aqui embaixo, na terra? As origens do conhecimento astrológico remontam a seis mil anos. Desde então, os homens observam os movimentos celestes e sua correlação com os acontecimentos na terra. Mas o que é astrologia? É um meio de fazer previsões? Uma ferramenta de autoconhecimento? Uma profissão? Os astrólogos têm opiniões divergentes.

Chico Seabra trabalha em uma linha de astrologia determinista, e para ele, não há como fugir ou mudar a ação dos astros na vida das pessoas.

"Cláudio Patolomeu, no século II depois de Cristo, ele disse que a astrologia serve para acomodar a mente diante do fato. Você vai perder o marido, perder a esposa, então você acomoda a mente, mas você não vai mudar aquela situação".

Já a astróloga Bernadeth Menezes atua na astrologia védica que se pratica na Índia, país que respeita a astrologia tanto quanto a medicina. Lá a astrologia é chamada Jyotish, que significa a ciência das luzes.

"O fato do astrólogo trazer pra você aquela informação torna você mais consciente, você deixa de ser pega pelo imprevisto. É um sistema determinista? Se está escrito, vai acontecer? Não, na verdade é determinação e livre arbítrio juntos, como você pode fazer uso do seu livre arbítrio em relação aquilo que já está determinado pra você. Por isso que o nome chama Jyotish, que significa aquela que traz luz no seu caminho, ilumina o seu caminho, que caminho é esse, o caminho da existência, que começa no ato de nascer e termina no ato de morrer".

A astróloga Vanessa Tuleski opina que o astrólogo é um tradutor do céu que interpreta as possibilidades de atuação dos astros na existência de cada um. Para ela, a astrologia pode ajudar as pessoas a ampliar o leque de possibilidades na vida.

"Na minha opinião, serve para aumentar o grau de livre arbítrio, o grau de escolha que você tem. A partir do momento que você pode saber o que está acontecendo com determinada manifestação do seu mapa, você tem a possibilidade de ver como é que você vai lidar com isso. Pra mim, abre a minha criatividade".

A astrologia trabalha com a análise do mapa natal, que depende do dia, local e hora de nascimento. Além disso, existem diversas técnicas para fazer previsões ou detectar tendências na vida das pessoas. Todos os astrólogos que ouvimos destacaram que o horóscopo de jornal é uma prática muito genérica que não reflete a análise astrológica.

Maurice Jacoel é presidente da Central Brasileira de Astrologia. Ele destaca que as pessoas devem perceber que um astrólogo não oferece solução mágica para os problemas da vida. O seu papel é explicar os processos que podem acontecer por meio da atuação dos astros.

"Geralmente quem procura um astrólogo está ou em uma crise profissional ou em uma crise de relacionamento, isso de maneira geral. E ele está buscando uma solução mágica, ele quer ter certeza que aquilo ali vai passar dali a cinco minutos, quer dizer, ele vai conseguir resolver o relacionamento dele ou no dia seguinte já vai ter uma oportunidade de trabalho. O bom astrólogo vai colocar o cliente no seu lugar, vai trazê-lo pra realidade, vai dizer do processo que ele está passando, que não é uma coisa que vai se resolver em um passe de mágica, em que momento do processo ele está agora, quanto tempo esse processo ainda vai durar. Nesse momento você está conversando com um astrólogo que sabe o que está fazendo.

Já o astrólogo Carlos Maltz trabalha em uma linha espiritualista. Ele enfatiza que não faz mapas para adivinhar o que vai acontecer no futuro, pois acredita que são as nossas ações de hoje que vão determinar o dia de amanhã.

Para Carlos Maltz, a astrologia é uma ferramenta de autoconhecimento que propicia um olhar profundo de como as pessoas podem evoluir espiritualmente.

"Então a pessoa ta lá vivendo o maior aperreio. Tá lá com problema financeiro, problema de relacionamento. Geralmente ela acha que a culpa é sempre dos outros, ou até pode achar que a culpa ou responsabilidade é dela, mas não sabe direito porquê. O que o mapa de nascimento mostra é a planta baixa do prédio. O que você está fazendo aqui, meu irmão, porque você veio desta vez, pra que você veio desta vez. Você está entendendo a questão espiritual central da sua vida, e essa questão espiritual central, que é como se fosse o tronco central da árvore, ela dá origem a todas as outras".

Desde 2002, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que regulamenta a profissão de astrólogo. Celisa Beranguer é diretora de um escola de astrologia, e já presidiu o Sindicato dos Astrólogos do Rio de Janeiro, o SINARJ. Ela foi uma das pessoas que trabalhou na elaboração do projeto de lei, e explica que a proposta não é unanimidade entre os astrólogos.

"Nada é unanimidade entre os astrólogos, nem a astrologia, cada um quer fazer a sua, esse é que o problema. Por isso a gente não tem força. Se ele fosse regulamentado, as instituições de astrologia é que controlariam o funcionamento dela, e a maioria dos astrólogos não quer controle nenhum. Quando eu era presidente do Sinarj, durante quatro anos, eu recebi várias reclamações de pessoas ligando para o sindicato reclamando de astrólogos. Aí eu dizia: o que eu posso fazer? Eu só posso aqui chamar ou punir uma pessoa que seja sindicalizada, uma pessoa que não é, nós não podemos fazer nada. E infelizmente o mau atendimento de um astrólogo pode prejudicar muito a psique de uma pessoa".

A proposta que regulamenta a profissão de astrólogo já foi aprovada na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público e aguarda a escolha do relator na Comissão de Constituição e Justiça.

De Brasília, Daniele Lessa