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10/01/2019 19h18

Deputados e especialista apontam desafios da área econômica no novo governo

Economista Carlos Eduardo de Freitas afirma que alto índice de desemprego e baixo crescimento do Produto Interno Bruto são alguns dos desafios do governo Bolsonaro

São muitos os desafios na área econômica para o novo governo, iniciado em 1º de janeiro. O economista Carlos Eduardo de Freitas resume as condições econômicas do Brasil hoje:

"Temos um desemprego elevado, um crescimento do Produto Interno Bruto baixo, porém nós temos inflação muito baixa, com as expectativas inflacionárias consolidadas, temos um balanço de pagamentos equilibrado, temos elevadas reservas internacionais no Banco Central. Então, o que falta é colocar a economia para se movimentar."

E os desafios estão justamente no que fazer para movimentar a economia.

Uma das reformas necessárias, a tributária, já foi aprovada em comissão especial e está pronta para ser votada no Plenário da Câmara. Ela extingue 10 tributos e, em seu lugar, cria dois tributos sobre bens e serviços. Relator do texto, o deputado Luiz Carlos Hauly, do PSDB do Paraná, lista os outros desafios que devem ser enfrentados pelo Governo Bolsonaro:

"Com relação às outras reformas, que ele quer fazer, Previdência, reforma do Estado, reforma fiscal, gastos, etc, tem que apresentar o plano ainda ao Congresso e à nação brasileira para discutir o tamanho do Estado, o que vai fazer, o que não vai, saúde. Saúde falta dinheiro, Educação falta dinheiro, Segurança falta dinheiro. Então, é um desafio imenso que temos pela frente. (...) É preciso fazer muitas mudanças para melhorar a economia brasileira pra voltar a crescer a 5, 6, 7%. No Brasil não basta crescer 3%, que é a média mundial, tem que crescer o dobro, que nós estamos pobres. A renda per capita baixíssima."

Um dos entraves é o déficit fiscal no Orçamento de 2019. São 139 bilhões de reais previstos para o governo gastar além do que arrecada. O deputado Ênio Verri, do PT do Paraná, ressalta também a emenda constitucional do Teto de Gastos, que limitou o crescimento das despesas do governo brasileiro durante 20 anos.

Para Ênio Verri, um problema a mais é a falta de experiência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no setor público:

"O seu desconhecimento do que é dirigir o setor público, o seu desconhecimento sobre de fato o estouro da economia brasileira pode levar a uma piora do quadro econômico. E, por tabela, uma crise política. (...) E como político que ele é, ele tem que saber que se ele não se articular com setores da sociedade, não ouvir, em especial, a Câmara dos Deputados e o Senado, os seus projetos não serão aprovados e, consequentemente, aquilo que ele fala que vai fazer não se realizará. Por isso, esse desconhecimento de como funciona a máquina pública terá um custo muito grande político, para o Governo Bolsonaro, mas terá também um custo social muito grande para a população brasileira."

E a Reforma da Previdência, que vários setores da sociedade consideram a mais urgente a ser votada, merece ser vista com cautela, segundo o economista Carlos Eduardo de Freitas:

"Se votada hoje, é uma faca de dois gumes, porque pode ser votada rápido e ser uma reforma ruim e vai ter uma repercussão negativa daqui a três, quatro, cinco anos, vai ter que fazer outra ou vai ter que corrigir os excessos que foram feitos agora, então é melhor, não digo que seja para fazer a toque de caixa. O Congresso, ele tem os representantes do povo, devem se debruçar sobre as propostas."

O novo Congresso Nacional eleito, que votará as medidas econômicas do Governo Bolsonaro, inicia suas atividades em fevereiro.

Reportagem - Newton Araújo