19/10/2018 18h32

Especialistas destacam relevância de redes sociais nestas eleições e ONG propõe medidas para combater fake news

Nessas eleições, ficou clara para os cientistas políticos a importância das redes sociais para a comunicação com o eleitor. Mas a novidade também foi acompanhada de problemas a partir da disseminação de notícias falsas pela internet. Os analistas afirmam que sempre houve boato e mentira em campanhas eleitorais. Mas a rapidez e o alcance de certas plataformas digitais podem causar distorções difíceis de serem contornadas.

O cientista político Leonardo Volpatti tem uma visão positiva sobre a interação digital com os eleitores. Ele afirma que entre 15 a 20% dos deputados federais eleitos mostraram um alto engajamento nas redes sociais, deixando o tempo de rádio e televisão como um fator de menor importância. Para Volpatti, a sociedade quer coisas mais atrativas:

"A maneira como é feita a política vai ser mudada. Antes os parlamentares faziam discurso no Plenário, apresentavam projetos de lei e trabalhavam para que isso saísse no jornal. Mas agora a gente vai ver um trabalho maior destes parlamentares, fazendo lives, gravando vídeos, mostrando os bastidores da política, que é uma tendência da sociedade. A sociedade quer coisas mais autênticas. Então, nessa autenticidade, as pessoas que souberem interagir com a população, tornar a política um pouco mais atrativa, mais autêntica, mostrar os bastidores do Congresso Nacional, o que está acontecendo; nós vamos ter mais audiência, mas interatividade e também ter apoio popular maior para aprovar projetos e conseguir benefícios políticos."

Leonardo Volpatti afirma ainda que o uso da internet torna as campanhas mais baratas e, portanto, acessíveis.

Mas a questão das fake news fez com que a ONG Safernet sugerisse medidas para o controle de encaminhamentos de mensagens no Whatsapp, que tem 120 milhões de usuários no país. Eles protocolaram as sugestões na empresa e no Tribunal Superior Eleitoral, onde fazem parte de um conselho consultivo sobre o assunto.

Uma das sugestões busca evitar sistemas automatizados de envio de spam e fake news, limitando a criação de grupos. É o que explica o presidente da Safernet, Thiago Tavares:

"Hoje é possível, de acordo com as políticas do Whatsapp, que um único número de telefone possa criar e administrar até 9.999 grupos. E cada grupo pode ter até 256 integrantes. Então em uma conta rápida é possível que um único número de telefone, habilitado no Brasil ou no exterior, ele possa transmitir informações diretamente para 2 milhões e meio de outros telefones. Então isso facilita não para o usuário final, mas facilita o comportamento automatizado, contas falsas que são criadas para poder espalhar spam, para mandar mensagens falsas."

A Safernet também sugeriu a redução da possibilidade de encaminhamentos individuais de 20 para 5. Thiago Tavares explica que, se houver interesse em alcances maiores, a pessoa ou empresa pode utilizar a versão de negócios do aplicativo. O objetivo das medidas é evitar interferências indevidas nas eleições:

"Você produzindo um conteúdo falso, um áudio, um vídeo, um meme, e direcionar aquele conteúdo falso para aquele estrato bem específico do eleitorado, usando técnicas aí de microtargeting, e procurar influenciar estratos específicos, ou eventualmente colocar grupos de eleitores em oposição a outro grupo de eleitores, fomentar a polarização. Então isso tecnicamente é possível fazer e existe tecnologia para poder fazer isso. E passa a ter as ferramentas adequadas e o poder computacional para fazer isso em tempo real."

Equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais criaram o grupo "Eleições Sem Fake" e monitoram 347 grupos públicos de Whatsapp. Esses grupos buscam usuários em outras redes por meio de links. Os pesquisadores constataram em parceria com a Agência Lupa, de verificação de notícias, que apenas 4 imagens de uma amostra de 50 eram verdadeiras.

O Tribunal Superior Eleitoral também lançou uma página na internet para esclarecer o eleitorado brasileiro sobre informações falsas relacionadas ao sistema eleitoral, principalmente sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Reportagem - Sílvia Mugnatto