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15/03/2018 14h55

Bancada feminina da Câmara se mobiliza pela apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco

Vereadora carioca do Psol e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados na noite desta quarta-feira (14), na área central do Rio de Janeiro. Procuradoria da Mulher e Coordenadoria dos Direitos da Mulher vão exigir elucidação dos assassinatos e punição dos criminosos.

Bancada feminina da Câmara dos Deputados vai acompanhar as investigações do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, do Psol, e do seu motorista, Anderson Gomes. Em sessão solene no Plenário da Câmara, as deputadas diretamente ligadas aos órgãos suprapartidários de valorização da mulher na política manifestaram indignação com os assassinatos, ocorridos na noite de quarta-feira (14), na área central do Rio de Janeiro. Coordenadora adjunta da bancada feminina, a deputada Dorinha Seabra Rezende, do DEM de Tocantins, afirmou que, além da comissão externa da Câmara que acompanhará o caso, a Procuradoria da Mulher e a Coordenadoria dos Direitos da Mulher vão exigir a elucidação dos assassinatos e a punição dos criminosos.

"O crime cometido contra uma jovem mulher, negra, feminista, de origem humilde, defensora dos direitos humanos e no exercício de suas funções parlamentares demonstra ser um grave caso de feminicídio e de violência política contra mulher, que precisa ser imediatamente e ostensivamente investigado pelas autoridades competentes. Passaremos a acompanhar o caso, em nome da Procuradoria da Mulher e da Secretaria da Mulher, para que o contexto e a motivação do crime sejam esclarecidos, que os autores sejam devidamente responsabilizados pelo crime hediondo cometido contra Marielle. Que o caso Marielle seja simbólico: que essa Casa se envolva, sim, com uma comissão externa, com a participação e o envolvimento de todos nós desta Casa, e especial da bancada feminina".

A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados divulgou nota oficial em que repudia o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Procuradora adjunta na secretaria, a deputada Jô Moraes, do PC do B de Minas Gerais, vê um "momento delicado" na democracia brasileira. Ela citou outros assassinatos de lideranças comunitárias do Brasil, neste ano, para pedir mudanças na agenda política da Câmara e paralisar de vez, por exemplo, as propostas de flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

"A indignação e a perplexidade que nos toca é tamanha que nós chegamos a um momento de tentar compreender que estúpida sociedade é essa que destrói seus melhores filhos. Quero lembrar que, neste ano de 2018, já foram assassinados líderes comunitários agrários de todo o país: Vladimir, do Pará; Paulo, do Pará; Márcio, da Bahia; Leandro, do Rio Grande do Sul; Jefferson, do Rio de Janeiro; Carlos, de Mato Grosso; George, de Pernambuco. A esses homens e mulheres daremos o melhor da nossa resistência".

A Procuradoria da Mulher foi criada, em 2009, para ampliar a participação efetiva das deputadas nos órgãos e nas atividades da Câmara dos Deputados. O órgão também fiscaliza e acompanha programas do governo federal, recebe denúncias de discriminação e violência contra a mulher e coopera com organismos nacionais e internacionais na promoção dos direitos da mulher.

Reportagem - José Carlos Oliveira