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29/11/2017 15h47

Trabalhadores do setor de energia criticam proposta de privatização da Eletrobras

Em audiência pública sobre o tema, participantes defenderam uma pressão maior para a votação, pelo Plenário da Câmara, de proposta que prevê um referendo popular antes da venda das usinas

Deputados da base do governo e da oposição realizaram audiência pública com a presença de vários trabalhadores do grupo Eletrobras para mostrar posição contrária à privatização das estatais de energia elétrica. O governo anunciou a venda em agosto e previu R$ 12 bilhões de arrecadação no Orçamento de 2018.

Na audiência, que lotou o maior auditório (Nereu Ramos) da Câmara nesta quarta-feira (29), estiveram presentes os coordenadores de três frentes parlamentares em defesa de Furnas, Chesf e Eletronorte; esta última lançada nessa mesma quarta. O deputado Danilo Cabral (PSB-PE), do grupo parlamentar em defesa da Chesf, disse que o governo está preocupado apenas com a arrecadação imediata. Segundo ele, as usinas valem cerca de R$ 400 bilhões.

O vice-líder do governo no Congresso e coordenador da frente de Furnas, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), disse que o governo errou ao propor a venda:

"Nós iremos mostrar para o governo que ele erra da maneira que quer fazer esta entrega do patrimônio público brasileiro, do povo brasileiro, para empresas públicas de outro país. Entregar para empresas públicas e certamente empresas chinesas. Então, o governo chinês vai entrar dentro do nosso país, comprar a preço de nada o patrimônio que foi construído durante décadas? Não faz sentido."

Mozart Bandeira, ex-diretor da Chesf, explicou a importância do sistema Eletrobras para a população brasileira:

"O Nordeste hoje está sendo mais da metade de sua carga atendida por uma energia eólica. Quem começou a energia eólica no Brasil? O Proinfa, um programa da Eletrobras. No Nordeste, no Norte, no Piauí, mais de 60% do povo do Piauí não tinham energia elétrica na área rural. Quem foi que atendeu isso? O Programa Luz para Todos, que foi feito pelas distribuidoras; porém, instrumentalizado, coordenado e fiscalizado pela Eletrobras."

De acordo com Edney Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas, a privatização levará ao aumento das tarifas de energia e reduzirá os investimentos para as populações que vivem em regiões de difícil acesso. A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) também mostrou preocupação com o possível aumento da presença e do controle econômico de grupos estrangeiros na região amazônica, estratégica para o Brasil.

Vários participantes defenderam uma pressão maior para a votação pelo Plenário da Câmara de proposta que prevê um referendo popular antes da venda das usinas (PDC 948/01). O governo tem afirmado que a privatização vai dar mais eficiência ao sistema. E tem assegurado que o controle será pulverizado, mantendo alguma participação da União.

Reportagem - Sílvia Mugnatto