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22/11/2017 13h45

Metade dos estudantes de 8 e 9 anos de escolas públicas não está alfabetizada, revela estudo

Os dados constam de pesquisa apresentada aos deputados da Comissão de Educação da Câmara pelo movimento Todos pela Educação

Pesquisa apresentada aos deputados da Comissão de Educação da Câmara pelo movimento Todos pela Educação concluiu que metade das crianças de 8 e 9 anos que estudam em escolas públicas do país não está alfabetizada.

Isso significa que cerca de 1 milhão de crianças do ensino fundamental não está com nível de aprendizagem considerada suficiente em leitura, escrita e matemática.

A conclusão teve como base os resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização, a ANA, uma prova aplicada no ano passado para 2 milhões e 100 mil alunos da terceira série de 48 mil escolas públicas.

A pesquisa apontou que menos da metade das crianças, 45%, tem desempenho suficiente em leitura e matemática. O índice é um pouco melhor em escrita, com 66%.

Mas metade delas não conseguiu calcular, por exemplo, quanto é 112 + 93.

Para Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, o resultado mostra o fracasso do ensino brasileiro:

"Acho que todos concordam do fracasso que foram os resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização, que apontaram que metade dos nossos alunos não estão alfabetizados com 8 ou 9 anos. Acho que isso é um consenso, o resultado é um fracasso, é desanimador, avanços ínfimos entre a edição de 2014 e 2016."

A pesquisa constatou ainda desigualdades provocadas pela diferença de renda. Escolas públicas localizadas em regiões de nível econômico baixo só conseguem ensinar matemática para 14% dos alunos. Em regiões de padrão econômico alto, o índice sobe para 88%.

Os membros da comissão apontaram fatores que explicariam os resultados. Para o deputado Ságuas Moraes, do PT do Mato Grosso, é preciso mais investimentos públicos para que o Brasil atinja as metas do Plano Nacional de Educação, o PNE:

"O governo reconhece essas políticas estabelecidas, mas não tem se esforçado no sentido de cumpri-las, ao ponto de o governo congelar os investimentos públicos por 20 anos e aí dentro deste congelamento estão saúde, educação, segurança pública e outros tipos de investimentos mais que possam gerar emprego e renda neste país."

Já a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende, do Democratas de Tocantins, apontou que a gestão dos recursos e de pessoal também explica os resultados. Ela disse ainda que as universidades não estão preparando professores da educação fundamental:

"Percebo também uma ausência de uma política direcionada nas universidades e faculdades de formação de professores. Se você olhar os currículos de formação, eles não trabalham para preparar o aluno para trabalhar com alfabetização."

O Movimento Todos pela Educação apontou um caso de sucesso na educação básica: o estado do Ceará, que conseguiu reverter nos últimos dez anos o analfabetismo das crianças e hoje tem 100 escolas entre as melhores do país.

Segundo a pesquisa, isso foi obtido graças à cooperação do governo do estado com os municípios; formação de professores; destinação de parcela da arrecadação do ICMS para a educação básica; e, principalmente, pela continuidade das políticas mesmo com mudanças no governo.

Reportagem - Antonio Vital



Comentários

Raimunda dos Anjos Silva | 23/11/2017 18h15
Realmente, eu faço do programa quando iniciou, vejo que o programa é excelente, mas o atraso do seu início vem comprometendo significativamente a sua evolução; acredito com a inclusão da Educação Infantil já é um avanço, porém se continuar o atraso, continuará o mesmo problema, conto sinceramente com a correção.
WEBERSON | 23/11/2017 09h07
"A pesquisa apontou que menos da metade das crianças, 45%, tem desempenho suficiente em leitura e matemática. O índice é um pouco melhor em escrita, com 66%." Esqueceram de mencionar os Analfabetos Funcionais- frutos de incentivos de Organizações internacionais que premeiam sem conhecer a real situação. "Empurrar" o aluno para a serie superior sendo totalmente insuficiente na qual está. Falta melhor uso de tecnologia e metodologia na educação; valorizar profissional; terapias individual e coletiva; Tornar o cognitivo quando possível mais concreto;desdobrar as amarras psicológicas do aluno...