Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

16/11/2017 18h56

Câmara aprova projeto que inclui Cultura de Paz no ensino escolar

O objetivo é trabalhar conceitos e pensamentos como o perdão e o respeito ao próximo para promover mais qualidade de vida às crianças e uma redução nos índices de violência no País

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que inclui na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) a promoção da Cultura de Paz.

O objetivo é trabalhar conceitos e pensamentos como o perdão e o respeito ao próximo para promover mais qualidade de vida às crianças e uma redução nos índices de violência no país.

Para a autora, Keiko Ota, do PSB paulista, e presidente da Comissão Especial para a elaboração de propostas legislativas e promoção da Cultura de Paz, o melhor local para implementar essas medidas é a escola. Ela avalia que 83% dos crimes em seu estado poderiam ser evitados com o perdão, já que ocorrem por motivo fútil. Keiko afirma que a violência e a falta de perdão interferem na aprendizagem e no relacionamento familiar das crianças, que podem acabar se envolvendo com crimes e drogas ilícitas.

"Nós fizemos um trabalhinho na semana de Cultura de Paz, em 40 escolas, 22 mil alunos, quando foi a finalização desse projeto, foram vários relatos de crianças que pediram perdão para o pai. Porque nós falamos que quando uma criança pede perdão, ele eleva a autoestima, faz ele ter mais vontade de viver, então eles ficaram entusiasmados. São medidas simples que vão fortalecer essa corrente do bem, levar paz dentro de casa".

A diretora executiva da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Miriam Praguita, acredita que a medida é um passo que pode ajudar a reduzir casos de violência nas escolas. No último mês, por exemplo, um aluno de 14 anos atirou contra colegas de classe em Goiânia.

"Esse termo da Cultura de Paz é algo que estimula eu aceitar o outro como ele é, eu perdoar o outro, eu abrir um espaço de empatia para o outro. (...). Nada que diga 'eu vou fazer e vou garantir', mas todo processo civilizatório de convivência, de respeito, de aprendizado, de aceitação das diferenças leva a uma diminuição da violência nas escolas".

Sandra Custódio, de 35 anos, que trabalha como empregada doméstica, acredita que a educação em casa é a mais efetiva.

"Eu tenho adolescente, então converso muito com ela em casa, justamente para ter um bom comportamento na escola. Eu acho que isso parte de casa".

Já a estudante Gisele Rodrigues, que tem 13 anos, gostou da ideia.

"Eu acho bom porque na minha escola tem muitas brigas, em todo colégio tem. Vai ajudar os alunos a aprender que não é assim que se deve resolver as coisas. Violência está por fora".

O projeto que inclui a Cultura de Paz no ensino escolar foi aprovado pelas Comissões de Educação e de Constituição e Justiça, e agora será encaminhado para o Senado federal, sem precisar passar pelo Plenário.

Reportagem - Leilane Gama