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13/09/2017 13h40

Comissão promove fórum para debater crise hídrica

Para especialistas, a impermeabilização do solo urbano é um dos grandes fatores grave dentro da crise

A crise hídrica foi o tema de um fórum realizado (nesta quarta-feira, 13) na Comissão de Desenvolvimento Urbano, dentro da série de encontros "A Cidade é Nossa", proposta pelo presidente da comissão, deputado Givaldo Vieira, do PT do Espírito Santo. Participaram da discussão o sociólogo Edson Aparecido da Silva e a arquiteta e urbanista Mirtes Luciani.

O recorte dado pela arquiteta Mirtes Luciani ao problema foi urbanístico. Segundo ela, a falta de água decorre da impermeabilização do solo urbano, impedindo a passagem da água; da transformação dos rios em valas de esgoto a céu aberto; e da destruição das matas ciliares, que deveriam ser mantidas mesmo dentro do tecido urbano.

"A gente não pode mais fazer cidades que são um maciço de concreto, que você destrói as bacias de captação de água. Você tampa os cursos d'água, você polui e diz: o problema não é comigo, vamos resolver isso mais para a frente."

Integrante da coordenação nacional do Fórum Alternativo Mundial da Água, o sociólogo Edson Aparecido da Silva disse que uma das causas da crise hídrica é a gestão do recurso. Segundo ele, os operadores de saneamento têm cada vez mais buscado atender à demanda por água, sem olhar a oferta. Assim, busca-se água mais longe, fazendo grandes obras e priorizando contratos com grandes consumidores, como shoppings e condomínios. O objetivo é o lucro, na avaliação do sociólogo.

"Essa perspectiva impede que você realize campanha de redução de consumo de água. Essa lógica faz com que a água seja tratada como mais um negócio do que como serviço essencial."

Na avaliação de Edson da Silva, o enfrentamento da crise hídrica passa, entre outros pontos, pela integração entre as políticas de habitação e de meio ambiente, com medidas como o fornecimento de caixas d'água à população vulnerável ou à construção de reservatórios coletivos de água em comunidades com grande concentração de famílias.

Reportagem - Noéli Nobre