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13/09/2017 12h00

Educadores físicos apontam limitações na formação profissional por algumas instituições

Representantes da área disseram que várias faculdades matriculam alunos com promessa de atuação plena no mercado, mas diploma só permite trabalho em escolas

A formação do profissional de educação física foi tema de uma audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Profissionais da área denunciaram que algumas instituições de ensino superior matriculam alunos com a promessa de atuação plena dos educadores físicos, mas ao receberem o diploma, vem a frustração: só podem trabalhar em escolas.

Rodrigo Alves Andrade, representante dos egressos dos cursos de Educação Física, reclamou das limitações da área de licenciatura.

"Os cursos foram dados em quatro anos, com 3600, 3800 horas, com as características de uma licenciatura para atuação plena, que seria nas áreas formais e não formais. Então isso foi tolhido desses profissionais, esse direito. Eles ingressaram nessas licenciaturas, nessas graduações, com uma promessa e acreditando que poderiam atuar livremente na profissão, e ao receber suas habilitações profissionais, tiveram o direito tolhido na hora de atuarem, então só poderiam atuar nas escolas."

Weber Matias dos Santos, representante da Federação Interestadual dos Profissionais de Educação Física, disse que a diferença na formação não pode ser de conteúdo:

"A principal diferença é a questão pedagógica, que na licenciatura está voltado para a questão educacional, pedagógica, iniciação, coordenação motora, início da formação. E a questão do bacharel é a questão da anatomia, a questão da fisiologia do exercício voltado ao desenvolvimento de um conhecimento mais profundo quanto ao corpo humano."

O Deputado Cabo Sabino (PR/CE), que propôs a realização do debate, criticou a divisão de bacharelado e licenciatura:

"Essa divisão só faz fracionar e sedimentar cada vez mais uma categoria e isso o que temos visto com isso é que só tem beneficiado as instituições educacionais (as IES), dividindo com isso, aumentando o número de cursos; é apenas um mercado e não traz nenhum ganho para a população nem muito menos para os profissionais."

A mesma posição foi defendida pela representante do Ministério da Educação, Nara Maia Pimental.

"Do ponto de vista do profissional da educação física, se pensa no perfil profissional - o ministério da educação hoje busca o perfil profissional que atenda tanto às demandas de sala de aula, diretamente na escola - que é um profissional de extrema importância - e esse bacharel que vai exercer a sua profissão também com base na formação que recebeu na instituição de ensino superior."

Segundo o Conselho Federal de Educação Física, para trabalhar como professor de Educação Física no ensino básico é preciso frequentar o curso de licenciatura. Já quem quiser atuar em demais nichos do mercado de trabalho específico da Educação Física deve fazer o curso de bacharelado.

Reportagem - Tiago Ramos