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18/05/2017 18h31

Em pronunciamento, Temer diz que não renunciará à Presidência

Pedidos foram formalizados após informações de que Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, havia entregue ao MPF gravação em que Temer teria dado aval para o empresário comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro

O presidente da República, Michel Temer, anunciou nesta quinta-feira (18), por meio de pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, que não vai renunciar ao cargo.

O anúncio foi feito em meio a informações divulgadas ontem pela versão on-line de O Globo. Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, entregou ao Ministério Público Federal gravação em que Temer daria aval para o empresário comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

Durante o pronunciamento, Temer disse que primeiramente se manifestou apenas por meio de nota à imprensa porque estava tentando ter acesso à gravação em que ele é citado.

"Só falo agora, e os fatos se deram ontem, porque tentei conhecer o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a esses documentos, mas, até o presente momento, não o consegui".

O presidente comentou ainda como tomou conhecimento dos fatos.

"Ouvi o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado [Eduardo Cunha], auxilia a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário [Joesley Batista, da JBS]. Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro privilegiado. Nada tenho a esconder".

Temer também disse que governo viveu essa semana seus melhores momentos, com indicadores de queda da inflação, crescimento da economia e geração de emprego, mas lamentou a divulgação de uma conversa gravada clandestinamente, o que, nas palavras de Temer, "trouxe de volta o fantasma da crise política de proporções ainda não dimensionadas".

As notícias sobre o suposto aval de Temer para comprar o silêncio de Eduardo Cunha e a decisão do presidente da República de não renunciar dominaram os debates em Plenário ao longo de toda esta quinta-feira.

A deputada Carmen Zanotto, do PPS catarinense, se disse frustrada e triste.

"É com muita tristeza que ocupo essa tribuna, lamentando porque acreditava que o presidente Temer renunciasse. É uma decisão dele e cabe a nós respeitar. Mas a dúvida e a insegurança que vamos ter nos próximos dias é muito grande. Os fatos apresentados são graves. São gravíssimos e espero sejam apurados com todo o rigor da lei".

Já o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS) cobrou celeridade do judiciário na apuração dos fatos.

"O presidente Michel Temer deixou claro que ele é a favor das investigações da forma mais rápida possível, como cidadão e como presidente. Precisamos, sim, gerar 14 milhões de empregos e dar tranquilidade ao povo e continuar com o crescimento, mas precisamos que a Justiça faça esse trabalho o mais rápido possível".

Também nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer para apurar declarações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS e outras empresas.

Reportagem - Murilo Souza