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15/09/2016 13h19

Reitor da UFRJ denuncia fechamento de escolas no campo

Segundo professor, causa é modelo de financiamento da educação em vigor

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, denunciou o fechamento de 40 mil escolas no campo desde 2001 no Brasil. Ele participou de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara sobre o direito à educação no campo. Segundo o professor, o modelo de financiamento da educação atual baseia-se no número de estudantes; por isso, as escolas rurais com poucos alunos estão sendo fechadas pelos municípios.

"Os municípios avaliam que não têm meios econômicos de manter essas escolas. Concretamente deveria ser a União que deveria estabelecer programas nacionais de suporte às escolas do campo, para que os municípios sejam incentivados a melhorar, a dar infraestrutura a essas escolas. Grande parte dessas escolas não tem água, não tem esgoto. Das escolas do campo que hoje temos no Brasil, só 15% têm acesso à rede de internet."

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Padre João, do PT mineiro, salientou as dificuldades enfrentadas pelos alunos do meio rural, como a distância das escolas.

"Existem comunidades em determinados municípios que estão a 100 quilômetros da sede. Você imagina o que são 100 quilômetros de estrada de chão, que não são bem conservadas, então é um grande desafio. Por isso que o índice de analfabetismo rural é altíssimo, ele é vergonhoso."

Segundo o professor Roberto Leher, nas áreas rurais brasileiras, a taxa de analfabetismo ainda é de 21% da população.

Diversos debatedores defenderam também que os currículos das escolas do campo atendam às especificidades dos alunos e das famílias. Para o secretário de Políticas Sociais da Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, José Gonçalves, a educação no campo deve ser diferenciada e contextualizada. Ela deve levar em conta, por exemplo, a questão da produção de alimentos e da preservação das riquezas naturais do País.

Outros participantes no debate apontaram retrocessos na área de educação no governo Michel Temer. A representante do Fórum Nacional de Educação do Campo, Clarice Campo, pediu engajamento dos trabalhadores do campo para lutar contra aprovação da PEC do Teto de Gastos Públicos (PEC 241/2016) e pela manutenção de orçamento para o Programa de Bolsa Permanência. O programa concede auxílio financeiro a estudantes matriculados em universidades que estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica e para estudantes indígenas e quilombolas, por exemplo.

Reportagem - Lara Haje