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28/04/2015 22h11

Depoimentos de famílias de vítimas de chacina antecipam ida da CPI da Violência contra Jovens Negros à Bahia

Deputados da comissão ouviram nesta terça parentes de mortos no bairro Cabula, em Salvador, e no município de Itacaré, litoral sul da Bahia

Relatos de chacinas ainda não esclarecidas na Bahia levam CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres a antecipar parte do roteiro da visita ao estado. Os deputados pretendem ir a Salvador no dia 11 e também farão diligências em Itacaré e Itabuna. A CPI ouviu (hoje) parentes de vítimas da chacina que deixou 12 mortos no bairro Cabula, em Salvador, em fevereiro deste ano, e parentes de mortos no município de Itacaré, no litoral sul da Bahia.

Em comum, os casos mostram maioria de vítima negra, violência policial e paralisação nas investigações, segundo avaliação do Movimento Reaja, articulado por grupos baianos em defesa dos direitos dos negros. Pai de um jovem de 15 anos assassinado em Itacaré, em 2013, o socorrista Antônio de Carvalho fez o relato mais contundente dessa violência.

"O meu filho estudava e nunca perdeu um ano de escola, era judoca desde os sete anos de idade, surfista e cursava um curso técnico de guia de turismo na cidade vizinha de Ilhéus. Esse fato foi em Itacaré, onde mais de 20 jovens negros já foram assassinados, esquartejados, desmembrados como o meu filho foi e jogado numa vala. Quando são encontrados, são encontrados pelos urubus ou pela família, quando alguém da família busca ver o paradeiro de seus familiares."

Para o Movimento Reaja, Cabula e Itacaré representam casos de "execução sumária extrajucial". Os líderes do movimento denunciaram a truculência de agentes da Rondesp, as Rondas Especiais da polícia baiana, que supostamente se baseariam em uma cartilha de indicativos físicos racistas para definir suas ações repressivas. Seguindo sugestão de vários parlamentares, o presidente da CPI, deputado Reginaldo Lopes, do PT mineiro, prometeu empenho da comissão em cobrar investigação efetiva dessas denúncias.

"Precisamos enfrentar esse tema e isso não tira a nossa responsabilidade de pedir justiça a chacinas que foram feitas nos últimos 30 anos. Precisamos discutir se a gente não vai federalizar alguns casos emblemáticos. Esse caso de Itacaré é absurdo. Então, é evidente que queremos ir até o fórum e pedir todas as informações desses inquéritos e desses processos. Vamos a Itabuna e designei que deputados vão encaminhar solicitação de informações e poderão fazer as diligências no estado."

Na próxima segunda-feira, a CPI fará sua primeira diligência externa: será no Rio de Janeiro, com previsão de visita ao Morro do Alemão e audiência com autoridades na Assembleia Legislativa. Os deputados também aprovaram (hoje) requerimento de diligência em São Paulo para acompanhar a chacina de oito integrantes da Torcida Pavilhão 9, do Corinthians, ocorrida no dia 19 de abril. Segundo o deputado Reginaldo Lopes, a CPI poderá propor, no fim dos trabalhos, um plano nacional de metas para redução e prevenção da violência contra jovens e pobres.

Reportagem – José Carlos Oliveira



Comentários

Leonardo Cruz dos Santos | 29/04/2015 20h04
Prezados Congressistas, Questiono acerca de APOIO ÀS VÍTIMAS DE CRIMES. QUAIS AS MEDIDAS ADOTADAS DE APOIO ÀS VÍTIMAS DE CRIMES. Deveria focar no apoio às vítimas de delitos e não dar total atenção aos criminosos. Um absurdo a criação de qualquer CPI ou ato público de proteção a criminosos, pessoas que violam o ordenamento jurídico como um todo. Na verdade, o que ocorreu na Bahia, especificamente no Cabula, foram a pratica de legítima defesa pelos policiais militares. Desafio a qualquer parlamentar a indagar a população baiana acerca da legalidade do ato.

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