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30/05/2017 12h13

Dois anos de Papo de Futuro

Nesses dois anos de vida, o Papo de Futuro cumpriu o seu papel: o de ser um grão de areia no terreno movediço da informação online. Muita coisa mudou, mas os desafios das telecomunicações no Brasil ainda são quase os mesmos

Secom / Câmara dos Deputados
Logo Papo de Futuro - Apresentação Beth Veloso

Há dois anos, nós tínhamos um nome, uma ideia, e começamos uma aventura que unia a velha com a nova tecnologia: o antigo rádio, seus charmes e trejeitos, e a nova internet, um casamento improvável de dar certo.

Parecia evidente que a rede fosse engolir as ondas do rádio, como fazem as aranhas com as suas pressas. Mas, hoje, é cada vez mais comum falar dos desafios dessa nova comunicação em todos os lugares, inclusive aqui, no programa Papo de Futuro.

Como traduzir para os ouvintes essa revolução da informação – e sobretudo da comunicação – que estamos vivendo, em que a gente assumiu o protagonismo de nossas vidas, com o fascínio de ser você mesmo a notícia: aquela viagem, aquele vinho, a opinião política, eu na foto e muitas selfies depois?

A internet ainda nos desafia, embora o modelo econômico, o sistema comercial já tenha dominado a rede, nesses meros dois anos de programa de rádio. Parece bem evidente que o Google não é mais uma ferramenta de busca, mas a maior agência de propaganda do mundo. O Facebook não é mais o que você posta, mas a categorização dos seus posts com base nos interesses comerciais e corporativos da empresa. A assepsia do sexo virtual contaminou-se do vírus do crime sem culpa e sem lei que o puna na pornografia que inunda a rede, e o haxixe moderno das micro telas de telefones nos afastou da infância, de nossos filhos, e de nós mesmos, que nem sabemos mais o que é ter privacidade no mundo atual.

Nesses apenas dois anos, o Papo de Futuro tentou falar muito de igualdade digital, e quando todos passaram a se preocupar com leis para proteger seus dados contra o uso indiscriminado da sua experiência virtual, outros sequer entenderam que a internet é muito mais do que um Sonrisal, uma comunicação que se dissolve em segundos. A internet ainda não entrou na agenda política dos países que mais precisam dela para melhorar, principalmente, seus níveis de educação, informação e colocar os sistemas em nossas vidas: bancos, governos e transações econômicas e financeiras, basicamente.

Embora um direito universal, o pleno acesso à rede ainda é privilégio das classes mais abastadas, os aparelhos ainda são caros, e as políticas sociais prometidas pelas empresas mais poderosas do planeta, como a cobertura de áreas remotas com drones para dar uma experiência digital da aldeia de índio à fazenda nunca se tornaram verdade, até porque a parte excluída da rede é aquela que não pode pegar o avião para curtir aquele pacote de férias na praia.

Importa para nós a velha retórica do passado: como exigir mais acesso e menos regras nessa rede que é cada vez mais ameaçadora, porque não vivemos mais sem ela: a distância entre ricos e pobres está aumentando, porque metade da população brasileira ainda está à parte desde mundo digital pleno. Portanto, acesso, segurança e educação para essa nova sociedade da partilha ainda são sonhos distantes.

Sem dúvida, a televisão que fala, mas não ouve, ainda nos pauta e dita nossa cultura e agenda política, mas ninguém sabe até quando. Nesses dois anos de vida, o Papo de Futuro cumpriu o seu papel, o de ser um grão de areia no terreno movediço da informação online, em que cada um usa ou abusa, e todo mundo paga o preço quando se expõe demais e perde a compostura.

No balanço geral, o Papo de Futuro ainda pede por uma internet para todos, através do uso dos recursos dos fundos de telecom para prover uma verdadeira política de inclusão digital no Brasil, investindo em rede, em segurança de rede e em conectividade barata e capilar para todos.

A tecnologia é neutra. O que nos segrega é a incapacidade de sermos fiéis ao nosso destino de sermos globais e mais humanitários. E, sem os governos, não há tecnologia que dê jeito nisso.

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para papodefuturo@camara.leg.br

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Câmara é Notícia", da Rádio Câmara***

Roteiro e comentários - Beth Veloso
Apresentação - Alex Gusmão