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06/03/2017 10h45

Uber na berlinda

Nem mesmo as gigantes da era da Internet estão imunes à sua própria insaciedade

O Jornal Evening Standard é desses tabloides londrinos que se dedicam às fofocas e notícias sensacionalistas. Pegue o seu e entre no metro, mas, nesta semana, o jornal enveredou num terreno bem mais... digamos assim... high-tech: as empresas do Vale do Silício sob ataque da Justiça, dos governos e dos seus próprios associados. O exemplo maior é o Uber, empresa que revolucionou o transporte privado – aquilo que chamamos de modelo disruptivo, mas que, agora, é acusado de explorar os próprios motoristas com tarifas baixas, embora gastando bilhões de dólares com publicidade.

A marca do Uber é a da economia de larga escala, ou seja, expandir primeiro, para ganhar depois. Assim fez a Amazon, por exemplo, e hoje essas empresas são praticamente donas do mercado! Por outro lado, enquanto mira nos carros auto dirigíveis, que ainda vão demorar para se tornar uma realidade, o Uber parece não estar dando muita atenção para o que acontece dentro de casa, como, por exemplo, as denúncias de assédio sexual por parte de motoristas. Nada fora do padrão para uma empresa que opera em 600 cidades, somando mais de 40 milhões de usuários por mês, mas que pode ser destruída não por seus competidores, como a Lift, mas por sua própria reputação.

A empresa símbolo da economia do compartilhamento parece não estar querendo compartilhar as suas receitas, e o que os motoristas faturam neste negócio chamado Uber e avaliado em 70 bilhões de dólares (R$ 218 bilhões) não está dando para viver. Resultado: os governos querem colocar regras e, a Justiça, limites.

Antes símbolo de empreendedorismo e ousadia, o CEO da Uber – uma espécie de dono –, Travis Kalanick, está sendo comparado como a versão moderna do Fordismo à moda do Vale do Silício. Ou seja, será a economia Uber a dos empregos informais, em que os direitos trabalhistas passam ao largo?

Nem mesmo as gigantes da era da Internet estão imunes à sua própria insaciedade, em que a empresa pode estar matando seu próprio mercado, alertam os economistas. Como se vê, diferente da mansidão da hegemonia das empresas do mundo 100% virtual, como Facebook e Google, no mundo real, ambição demais também tem seu preço.

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para papodefuturo@camara.leg.br

 

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Câmara é Notícia", da Rádio Câmara***

Roteiro e comentários – Beth Veloso
Apresentação – Eugênio de Sá