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13/09/2016 14h57

Sobre solidão e conexão, por Dalai Lama (interprograma)

Conexão, para os budistas, é algo que se estabelece não com cabos e programas de computador, mas com uma dose generosa e permanente de compaixão

Os monges budistas são conhecidos por serem o estereótipo do ser solitário, quase o ermitão. Bem, o propósito maior do budismo é buscar o refúgio, primeiro em Buda, depois no Dahmma – os ensinamentos –, e na Sangha – a comunidade. Os monges não podem se casar, formar família, ter filhos. Esse opção celibatária, no entanto, não necessariamente representa um voto de amor à solidão.

Perguntado se jamais havia se sentido sozinho, Dalai Lama respondeu: “não”. A resposta inesperada deixou seu interlocutor incrédulo. Dalai explicou: vejo cada ser humano pelo seu lado positivo. E essa atitude, imediatamente, cria em mim um sentimento de afinidade, um tipo de conexão. Não há estranhamento em quem busca não uma conexão por fio, mas uma abordagem de empatia ao se aproximar de alguém, o que a internet também propicia.

Qual o segredo para tanta empatia? – perguntaram a Dalai Lama. Compaixão. Ela reduz o medo e as barreiras que nos separam uns dos outros, permitindo criar uma atmosfera amigável mesmo diante da figura mais estranha.

Conexão, para os budistas, é algo que se estabelece não com cabos e programas de computador, mas com uma dose generosa e permanente de compaixão perante todo ser humano. Nem internet, nem computador. São virtudes como estas que fazem a verdadeira conectividade entre os povos.

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