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07/06/2016 12h07

As promessas e os medos da inteligência artificial

Se você acha que já viu quase tudo em termos de revolução tecnológica, pode colocar as suas barbas de molho

Sabe aquele empregado perfeito, que vai adivinhar os seus sonhos, ler os seus pensamentos, ou melhor, pensar por você? Ele, um dia, estará ao seu alcance na prateleira de uma grande loja de informática. Pelo menos é isso que os gigantes Google, Facebook e Microsoft planejam oferecer como o futuro da tecnologia: máquinas pensantes.

Seja qual o for o nome que se dê para isso, ciborgues, inteligência artificial ou máquinas inteligentes, o futuro já está a caminho. Basicamente, o que as empresas tentam fazer é criar máquinas que desenvolvam atividades humanas básicas: a partir de um conjunto de informações, este robô poderia tirar conclusões ou desenvolver pensamentos abstratos. Ideal para aquelas pessoas preguiçosas que gostariam que seu mordomo lesse seus pensamentos e lhe trouxessem o café na cama antes mesmo de eles acordarem. Hoje, o que se espera de uma inteligência artificial é, por exemplo, a categorização de fotos do Facebook ou a capacidade da máquina de vencer um jogo virtual com um ser humano. Mas muito mais vem por aí, e o crescimento da inteligência artificial promete ser exponencial, a ponto de se temer a rebelião dos robôs inteligentes, como no filme “O Exterminador do Futuro”, o clássico estrelado por Arnold Schwarzenegger, em que a máquina torna-se um matador incontrolável.

Atualmente, uma das aplicações mais comuns da inteligência artificial é a de moderador de redes sociais, responsável pela análise do conteúdo denunciado pelos usuários da plataforma. Notícia do site Olhar Digital dá conta de que a empresa tenta desenvolver programas que permitam a identificação automática de imagens antes que elas sejam publicadas, poupando, assim, o moderador de carne e osso de uma exposição excessiva a conteúdos violentos, com cenas de estupro, decapitações, pedofilia e por aí afora.

Um dos projetos fascinantes da inteligência artificial está no projeto Magenta, do Google, cujos resultados parecem singelos, mas não são, como a criação de uma música pelo próprio computador. É como se o computador quisesse nos dizer algo singular, como todo artista sabe fazer. A interatividade desses programas vai permitir que usuários e máquinas dialoguem para que essa produção artística seja continuamente aperfeiçoada.

As revistas de tecnologia prenunciam que os aplicativos e programas de inteligência artificial não poderão ser ignorados por nenhum setor da economia, e que os carros que dirigem sozinhos e os empregados que antecipam a nossa rotina sob o mero comando de voz abrirão um mundo de novas nuances, em que atividades como uma busca na web, tarefas de tradução ou postagem nas redes sociais serão radicalmente alteradas. O que dizer sobre o robô que não esquecerá de pagar a conta ou de ministrar aquele remédio na hora exata dentro do hospital?

O lado negro desta história é o risco de criarmos inteligências artificiais malévolas, ou seja, cérebros digitais fora de controle que irão colocar em risco da vida humana. O alerta tem sido feito por expoentes da ciência, como o físico Stephen Hawking. Um dos riscos é o uso da Inteligência Artificial para criar softwares “malvados”, ou “maliciosos”, que podem colocar em risco a própria humanidade.

O debate precisa ser enfrentando, alerta a revista eletrônica da escola do MIT, uma vez que a inteligência artificial pode ser usada em aplicações de segurança, como usinas nucleares de energia, controle de tráfego aéreo e sistemas de suporte de vida. Nada impediria que terroristas ou criminosos desenvolvessem vírus intencionalmente maliciosos e programas com fins destrutivos. Estudos recentes demonstram que a existência de programas abertos de inteligência artificial são mais seguros neste sentido do que as pesquisas em sistemas de código fechado, mas a resposta de gigantes como a Google é que seus projetos, como o DeepMind, operam dentro do formato de um conselho de ética.

Recente, reportagem da revista Exame.com advoga a necessidade de criarmos robôs não obedientes, mas nem tanto, para que nós mesmos não sejamos vítimas de nossos robôs. Imaginem um robô que faz a lição de casa pelo estudante, ou que joga coisas pela janela sob o comando de uma criança travessa, ou que passa por cima do cachorro ao manobrar o carro na garagem? Uma das soluções seria criar um software independente de segurança que pudesse desligar o robô desobediente, ou uma camada de interface que possa unir você de maneira simbiótica ao seu robô digital.

Caso contrário, diz Elon Musk, um dos cientistas e empresários que mais investem no tema, vamos virar animais de estimação de nossos robôs, como gatos mansos e submissos a um cérebro eletrônico, ou pior, “escravos” do nosso selfie digital.

Em 1984, o androide Terminator assustou o mundo no clássico de Schwarzenegger com a frase: “Eu voltarei!”. O futuro parece ser emocionante!!!

Mande duvidas e sugestões para papodefuturo@camara.leg.br

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Com a Palavra", da Rádio Câmara***

Roteiro e comentários – Beth Veloso
Apresentação – Mariana Monteiro e Márcio Salema