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23/03/2016 12h36 - Atualizado em 28/03/2016 13h45

A Internet que não cabe no bolso (interprograma)

Estudo recente demonstra que o brasileiro quer, mas não pode pagar pelos serviços de banda larga

Toda e qualquer política pública deve ter como base o binômio oferta-demanda. Funciona assim: o gestor identifica se a oferta é maior que a demanda, e tenta equilibrar ambas. Para todo serviço, precisa haver quem queira pagar. O problema nas telecomunicações é no verbo “querer”.

Estudo recente demonstra que o brasileiro quer, mas não pode pagar pelos serviços de banda larga. Esses planos públicos de fazer chegar fibra ótica a praticamente todos os domicílios no Brasil partem, portanto, da premissa errada: quem é que vai pagar a conta?

O estudo, que nada mais é do que uma leitura cruzada dos números da PNAD do IBGE, a pesquisa de domicílios, mostra que o serviço de internet está inacessível a 23 milhões de lares brasileiros. Isso corresponde a mais da metade das casas no país, mas o problema não é o rio ou a lonjura. O serviço não cabe no bolso de 14 milhões de famílias que têm renda domiciliar de até dois salários mínimos, além de outros oito milhões de habitações rurais que vivem na linha de pobreza.

A internet está lá, mas o que falta é o subsídio do governo, daquele fundo que é recolhido pelas empresas há mais de 16 anos – o Fundo de Universalização das Telecomunicações - que deveria ser usado para universalizar o serviço.

Como se vê, telecomunicação não é apenas uma questão de engenharia, mas passa, também, pela matemática social de priorizar o que é importante para a sociedade brasileira: informação, conexão e internet em tempo real. O resto é atraso.

Eu sou a Beth Veloso e este é o Papo de Futuro. Mande suas dúvidas, críticas ou sugestões para papodefuturo@camara.leg.br