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15/03/2016 13h47

Como o Uber está revolucionando as cidades

Na Câmara, vários projetos de lei discutem o futuro do aplicativo, mas é preciso tomar cuidado para não transformar esta facilidade novamente em coisa do passado

Em sete anos, um morador de Los Angeles tornou-se um dos homens mais ricos do mundo. Seu nome: Travis Kalanick. De cara jovem, roupas casuais, estilo descolado. E uma empresa avaliada em 18 bilhões de dólares. Esse rapaz tinha uma ideia. É assim que começam as startup, ou seja, uma empresa criada com um propósito específico por alguns nerds, que precisam financiar a sua ideia.

Hoje, o Uber é o serviço de taxi mais poderoso do mundo. Não foi bem assim que tudo começou. Na verdade, o espírito era de carona solidária. Essa foi a inspiração. Você divide o carro e o combustível. Então, Travis decidiu criar um serviço de táxi de luxo. Também deu certo. O serviço bombou, mas não pelos elegantes ternos do novo motorista. O que alavancou o Uber cabe na palma da mão. Foi o aplicativo do telefone celular que permite que você chame o táxi com apenas alguns cliques. Nada de musiquinha ao telefone. Tudo fica mais fácil, rápido e, principalmente, barato.

O Uber bombou no mundo e no Brasil. Até mesmo empresas como Microsoft investiram na aventura, e o que se promete hoje é uma revolução. Em troca de escala, mais gente está deixando o carro na garagem, e as cidades vão poder ter mais parques, ao invés de pistas e engarrafamentos. É isso que espera o visionário jovem empreendedor. E assim tem sido, exceto pela polêmica: pode tudo a tecnologia? Como regular um novo serviço em que eu não preciso de licença, não pago impostos, mas atendo bem o meu cliente? É o máximo da desregulamentação, ainda que o cliente fique bem atendido.

O Uber capturou uma parcela da população que sofria sem um transporte público de qualidade. A reação foi imediata, fora das lutas entre taxistas e motoristas Uber, o que mais avança no Brasil são as leis para proibir o aplicativo, ou restringir o seu uso até que ele morra de inanição. Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo são palco de disputas judiciais e votações políticas contra o Uber, ações motivadas prioritariamente pelo corporativismo da classe dos taxistas, que nunca pensaram em prestar um serviço melhor.

Há questões importantes por trás dessa disputa nas pistas por passageiros: em primeiro lugar, o que a tecnologia pode fazer para mudar a sua vida? Como a inovação pode melhorar a vida nas cidades? Como um serviço pode crescer e se disseminar em mais de 20 países ao arrepio dos governos, que, quando vêm, podem até atrapalhar? Mas e se tiver um maníaco por trás do volante, perguntam alguns? Mas a foto do motorista, a placa do carro, e inclusive o trajeto a ser percorrido está bem ali, à vista dos inúmeros pais que usam hoje o seu Uber como motorista particular. Existe algo mais seguro do que isso: você poder seguir online, na tela do seu celular, o percurso que o carro está fazendo a mais de dez quilômetros de você.

Há questões econômicas e legais envolvidas na lide do Uber, mas a experiência se repete e a história ensina que ideias inovadoras e impactantes podem morrer simplesmente na força de uma canetada: em 1914, o excesso de regulação asfixiou o embrião do que hoje é o Uber, que era a carona solidária onde as pessoas colavam um adesivo no carro com o destino e saiam coletando pessoas no caminho. Seattle, Kansas, Los Angeles, cidades norte-americanas onde o número de corridas diárias superavam 40 mil. Até a lei mandou os motoristas dirigirem mais de 16 horas por dia, ou haver dois motoristas para cada carro, até que o serviço acabou.

O novo Uber quer voltar à origem, ou seja, o transporte solidário, e o número de corridas na China já ultrapassa 15 milhões por mês, ou meio milhão ao dia. O resultado são toneladas de dióxido de carbono que deixam de ser emitidos no meio ambiente.
Imagine você acordando pela manhã, ligando o seu aplicativo e conectando-se ao smartphone do seu vizinho, para compartilhar uma carona no Uber. Mesmo trajeto, mesmo destino. Esse é o COMUTE, novo projeto do aplicativo. Como conter, pela lei, uma solução que vai melhorar a vida nas cidades e salvar o precioso tempo das pessoas?

Na Câmara, vários projetos de lei discutem o futuro do aplicativo, mas é preciso tomar cuidado para não transformar esta facilidade novamente em coisa do passado. Muitas coisas o próprio mercado resolve, afinal, nem o mundo dos táxis, nem o mundo do Uber é perfeito. Mas a tecnologia que propicia tudo isso, isso eu lhes garanto, ela é sim imperativa, e veio para ficar.

Os taxistas que me desculpem. Para vencer o inimigo, não é melhor se aliar a ele ou usar as mesmas estratégias, ou seja, montar as versões tupiniquins do Uber? E os governos que repensem a sua burocracia, que penaliza o cidadão e, não apenas em longas esperas por um transporte decente, mas, sobretudo, no bolso. Porque, no final, quem paga a conta é sempre o consumidor!!!

Mande suas dúvidas, críticas ou sugestões para papodefuturo@camara.leg.br

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Com a Palavra", da Rádio Câmara***

Roteiro – Beth Veloso
Apresentação – Mariana Monteiro e Márcio Salema