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27/01/2016 14h11 - Atualizado em 25/08/2016 14h59

A velha mídia na nova internet (interprograma)

O meio digital, cada vez mais, ganha a chancela das mídias tradicionais e o que vemos é mais do mesmo

Olá! O futuro do jornalismo nunca esteve tão em cheque quanto outro valor ainda mais precioso para os periodistas, como diriam os espanhóis. O que conta nesta economia global e, agora, digitalizada e integrada pela rede mundial de computadores é o poder da isenção, da neutralidade da notícia, a imparcialidade do jovem profissional. Esses tempos de defesa do lead e das duas versões, valores máximos do jornalismo, podem estar totalmente decadentes quando entram em jogo questões diplomáticas e alinhamentos políticos de escala continental.

Quem ousa falar na internet, por exemplo, contra o presidente dos Estados Unidos? Ou de Israel? Ou denunciar as atrocidades na Síria? Gay Talese, renomado jornalista americano, denuncia a hipocrisia da mídia que olha primeiro para o bolso antes de carregar nas críticas contra as políticas externas e as decisões que colocam o mundo mais ou menos em guerra. A verdade é que a lente da mídia não é mais nem menos neutra que a lente dos políticos, só que isso nem sempre é dito de maneira tão transparente quanto deveria.

O que parece chocar é que a blogosfera e a comunicação plural e instantânea da internet vieram como possibilidade de ampliar essas vozes dissonantes com um baixo custo de produção e um manejo bem mais acessível na produção da notícia do que a prensa de um jornal. Só que o meio digital, cada vez mais, ganha a chancela das mídias tradicionais e o que vemos é mais do mesmo: será que a internet foi capturada pelas velhas empresas de família e estamos todos reféns da já conhecida indústria da comunicação de massa?

Novas mídias, velhas ideologias.

Eu sou a Beth Veloso e esse é o Papo de Futuro. Dúvidas, sugestões e críticas, mande para papodefuturo@camara.leg.br