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25/01/2016 13h11 - Atualizado em 25/08/2016 14h50

Internet: o terror é não ter ela? (interprograma)

A grande rede mundial de computadores não mata nem salva, mas apenas amplifica os dilemas e as mazelas de um mundo segregado e desigual

De que lado está a internet, então, nesta luta contra o terror? A rede que abriu um mundo para a comunicação sem precedentes também alargou as fronteiras do crime e do horror, dando margem à grande discussão que se tem hoje: é a guerra contra o terrorismo a terceira guerra mundial? É a internet a sua grande arma?

A rede é, com certeza, uma faca que corta e costura, ao mesmo tempo. Se permite a articulação de organizações criminosas que explodem tudo como num videogame, também dão ferramentas para os governos rastrearem a vida do mais pacato dos cidadãos, quebrarem os códigos criptográficos e dispararem contra alvos inimigos usando drones e outras armas não tripuladas. O fato é que nem o crime pode dominar a internet, nem a espionagem que condenará ao esquecimento a era dos direitos individuais e coletivos, entre eles, o direito à privacidade e ao sigilo dos dados.

Esta história me faz lembrar a carta na qual um francês que se despede da esposa morta nos atentados da sexta-feira treze em Paris: "vocês não vão conseguir encher meu coração de ódio", ele diz. Que os sentinelas da internet sigam seu exemplo e não tentem, nem por ódio ou medo, ou excesso de precaução, silenciar a rede que não mata nem salva, mas apenas amplifica os dilemas e as mazelas de um mundo segregado e desigual.

Eu sou a Beth Veloso e esse é o Papo de Futuro. Mande suas dúvidas e sugestões para papodefuturo@camara.leg.br