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01/12/2015 14h05

Uma pesquisa só não basta

A consultora da Câmara para a área de ciência, tecnologia, comunicação e informática, Beth Veloso, aborda neste episódio os problemas das telecomunicações no Brasil

Na noite anterior eu respondi uma pesquisa de um banco estrangeiro sobre telecomunicações no Brasil. Eram perguntas certeiras sobre problemas muito complexos, e o meu desafio era escolher uma bolinha e escrever num quadradinho.

Não é que simplificar seja uma tarefa fácil, mas quem formulou as questões já teve uma matriz interpretativa decodificada para responder a grande questão. E esta me pareceu ser: o problema das telecomunicações no Brasil é regulatório ou de investimentos. E se for investimento, de quem é culpa: do governo ou das empresas? Uma das questões da pesquisa é: se não há antenas suficientes para nos garantir uma boa comunicação, é porque falta compartilhamento, ou porque a burocracia para colocar novas antenas é excessiva. Talvez as duas coisas, eu diria.

Uma lei de compartilhamento de antenas agilizou o processo junto às prefeituras e coibiu os achaques contra as empresas por administradores desonestos, mas a criação de um fórum de empresas para compartilhar esforços e otimizar investimentos não seria uma má ideia. As empresas, no entanto, se combinam bem na arena do lobby, mas na hora de conversar no quintal de casa, a veia da competição pulsa mais forte.

O governo, por sua vez, ou o órgão regulador não consegue trabalhar ou agilizar um enforcenment neste sentido. Outra pergunta era: se falta conexão no País, ou um plano de banda larga que não deslancha, o que dá na mesma, é porque:

1) os investimento não são suficientes;
2) o governo não dá muita bola para o tema;
3) as duas coisas juntas.

Mas o Brasil tem plano de banda larga e a promessa de outro vindo, não?

Todos nós sabemos que o plano nacional de banda larga era um plano que exigia investimentos e foi desfigurado quando esses investimentos sumiram, como todo o resto em termos de política setorial não associada às políticas monetárias ou de assistência de governo.

O fato é que banda larga nunca foi vitrine para os governos abaixo da linha do Equador, ressalvadas experiências isoladas como na Colômbia, afinal, a internet dá mais do que informação. Ela dá uma emancipação política ao eleitor brasileiro que as elites não estão muito abertas a aceitar. Quando alguém ganha com educação e cultura, alguém perde com o fim da apatia de um povo educado na base do entretenimento.

Apresentação – Elisabel Ferriche e Lincoln Macário
Participação especial – Beth Veloso