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13/10/2015 10h57 - Atualizado em 06/01/2016 12h20

Papo de futuro: o que a Colômbia tem a nos ensinar com a revolução digital

A consultora da Câmara para a área de ciência, tecnologia, comunicação e informática, Beth Veloso, relata as desventuras comuns a todos os usuários de telecom no Brasil

Nem dinheiro, nem tempo. A receita que vem dos nossos Hermanos para uma verdadeira revolução digital é liderança e vontade política. E estamos falando à experiência que vem da Colômbia, que, em 2012, apresentava módicas taxas de penetração da Internet e agora vem sendo apontado como modelo de projeto de universalização da banda larga. Sim, todo este processo tem nome: Diego Molano Vega.


Com uma carta branca numa mão e uma lei de meios eletrônicos digitais na outra, o ministro de Informação e Comunicação da Colômbia está conseguindo virar o jogo do apagão digital que assolava o país até três anos atrás. Com três eixos básicos, o país abriu frentes que estão mudando a realidade de uma rede de internet de pouca capilaridade, aliada a uma falta de prontidão digital das pessoas para o uso das tecnologias digitais e o desenvolvimento de soluções e aplicativos para turbinar o mercado doméstico de informática, tecnologia e informação.


O foco do programa, é claro, é a conexão individual, ou seja, internet para todos e a qualquer hora. Mas o programa também pretende ampliar a cobertura nas áreas apagadas e elevar o número de micro e pequenas empresas desconectadas, com metas ambiciosas: a intenção é elevar as estatísticas no curto intervalo de um ano. O carro-chefe do projeto é o Plano Vive digital, cujo foco é expandir a infraestrutura; reduzir os preços da conexão à Internet, desenvolver conteúdos digitais e estimular o uso de soluções tecnológicas. Guardadas as proporções com a população brasileira, que não traz comparativos com nossos vizinhos, o salto que se espera é de 2 para 8 milhões de conexões no intervalo de 2.5 anos. Ou um crescimento de mais de 180% no tempo tão curto.


É um desafio e tanto para um país que, até 2010, tinha apenas 200 das 1.102 municipalidades com acesso às redes de fibra ótica. É claro que a maior parte da expansão das telecomunicações se deve às redes móveis de 3G e 4G, mas o salto de qualidade se deve à solidez do passo que está sendo dado. Ancorado numa lei de 2009, portanto, uma jovem regulação, a Colômbia não faz milagre, mas leva a sério o que faz, sem interferências politicas ou a intervenção da área econômica do governo. Entre as fórmulas nada secretas, está o velho e conhecido programa de doação de computadores para alunos, no total de 577 mil computadores, distribuídos para 13.500 escolas.


Em palestra na qual apresentava a experiência como um caso de sucesso, uma senadora colombiana, Maria del Rosario Guerra, entregava a receita: lá, ninguém coloca a mão nos recursos do fundo de universalização do setor de telecomunicações, a não serem as próprias empresas que vão investir no setor. Tão diferente do caso brasileiro, em que o nosso fundo, o Fust, nunca foi usado, acumulando, junto com o Fistel, um caixa de mais de 60 bilhões de reais retidos no cofre do governo. Sem dúvida, a Colômbia é um exemplo, no mínimo, inspirador!

Dúvidas, sugestões e críticas, envie e-mail para papodefuturo@gmail.com.

Apesentação - Elisabel Ferriche e Marcio Sardi
Participação especial: Beth Veloso