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17/08/2015 10h30 - Atualizado em 06/01/2016 12h06

Papo de Futuro: as teles vão ter que aceitar – o mundo está mudando!

A consultora da Câmara para a área de ciência, tecnologia, comunicação e informática, Beth Veloso, discute a situação dos roubos de celulares no Brasil e o que podemos fazer para amenizar os efeitos desse tipo de ocorrência.

Os aplicativos de internet tornaram-se a bola da vez e foram eleitos o inimigo número 1 do setor de telecomunicações. Como aplicativos, denomino todas os sistemas que prestam serviços via Internet, como WhatApps, Facebook e outras redes sociais, serviços de voz sobre IP e por aí afora. A mais recente polêmica, a do Uber, o aplicativo que concorre com o serviço de táxi convencional, já está sendo formatado como lei. O que se pergunta é a eficácia disso? O papel aceita tudo, mas a verdade é que a tecnologia aceita muito mais, e é muito mais rápida e precisa ser testada, para se saiba exatamente onde é preciso apertar o parafuso.


Por mais que as empresas de telecomunicações assistam o WhatApp “comendo” a sua receita de voz e chamem isso de pirataria, a verdade é que elas, as telefônicas convencionais, estão vendendo telefones e acessos como nunca. Ou seja, uma mão lava a outra e, sem dúvida, parte da receita de telecomunicações está mudado de lugar, sim. Mas essa receita também é cada vez maior.


Na guerra sobre como vai ficar com a maior fatia do mercado de comunicação no futuro, vencerá quem oferecer aquilo que é a tradução do mundo moderno: mobilidade + continuidade, ou seja, ubiquidade. Todos nós queremos estar conectados a todo momento, em qualquer lugar. Por voz, por mensagem, por foto. Afinal, uma imagem não fala muito mais do que mil palavras? As chamadas teles vão ter que se conformar com a velocidade crescente da comunicação, e ninguém gosta de ser repetitivo. Por isso, as pessoas falam cada vez menos, e teclam cada vez mais. Falta uma pesquisa detalhada no Brasil para traçar o perfil do usuário de internet móvel. Eu mesma há tentei várias vezes ter acesso a dados deste tipo. Se existe, eu desconheço. Desses 180 milhões de brasileiros que acessam a internet, quantos, na verdade, são habituais nesse gesto de comunicação?


Será que vale dizer que é usuário de internet aquele que só acessa a internet uma vez a cada trinta dias? Ou nunca vai além do que mandar mensagens ou fotos? É importante divulgar esses dados de maneira sistemática, para entendermos em que medida a internet móvel é de fato inclusão digital ou se apenas estamos migrando do mercado de voz para o mercado de texto. Quem viver verá, mas muita cautela na hora de aprovar leis que segurem um mercado ávido por notícia, informação, compartilhamentos. As telefônicas que me desculpem, mas quem vai ditar os rumos do mercado no futuro é o consumidor, o verdadeiro dono da coroa.

Apresentação – Elisabel Ferriche e José Carlos Oliveira
Participação especial – Beth Veloso