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13/07/2015 10h49 - Atualizado em 06/01/2016 11h57

Papo de Futuro: como as redes sociais estão mudando a nossa vida?

A consultora da Câmara para a área de ciência, tecnologia, comunicação e informática, Beth Veloso, discute dados da pesquisa DataFolha que analisou a influência das redes sociais no cotidiano do brasileiro.

Os 20 anos da internet encontram a rede como uma jovem moça. Na verdade, nada se parece mais com a internet do que os jovens. A rede completa duas décadas no Brasil dominada pelos hábitos, estilos e crenças da geração que está despertando para o mundo, debutando para a sociedade. E ela, rede, tem muito a dizer sobre quem são os jovens brasileiros.

O jornal Folha de São Paulo foi pesquisar como aqueles que nasceram na era digital se relacionam com o meio internet e como eles se relacionam por meio da internet, ou seja, amigos, amigos, e internet para toda parte. Nesse triângulo amoroso, o jovem brasileiro curte muito a jovem internet. Alguns deles podem até ser novos na rede, mas o que eles curtem mesmo é uma boa rede social: Facebook é o campeão. 87% dos internautas têm lá o seu perfil; seguidos do WhatsApp, com 80%; depois Instagran e Google Mais.

A internet é, para os jovens, um lugar para relaxar: bater um papo com os amigos, assistir filmes no Youtube e ouvir música. Ninguém quer lá saber muito de pesquisa escolar, teletrabalho, o negócio é divertir-se, marcar encontros, fazer uma boa fofoca. Ou seja, informar e ser informado.

O celular é o lugar de onde a internet acontece na vida dos jovens brasileiros. Dos brasileiros que têm entre 16 e 24 anos, 78% têm o seu próprio smartphone e, para eles, tamanho não é documento. Pelo menos 10% dessa moçada não se preocupa com uma tela maior, eles nem sequer têm computador ou notebook em casa. Para eles, mobilidade é muito mais importante do que acesso pleno à rede. E o pior é que o aparelho nem mesmo no bolso fica.

É impressionante o resultado da pesquisa quanto ao número de horas navegadas. 56% dos participantes da pesquisa disseram ficar conectados mais de 4 horas por dia, mas há quem chegue a até 9 horas de atenção diária no celular. Se isso não é escravidão digital, é vício mesmo.

Ficar sem internet ou sem telefone com internet é uma grande fonte de estresse, para jovens e adultos, e há outros traços comuns entre os mais velhos e essa geração de emancipados digitais: em tempos modernos, os valores pessoais não são tão modernos assim.

Para completar o nosso comentário de hoje, pasmem: os jovens internautas brasileiros são um tanto conservadores. Moram com a família, têm medo de perder os pais e apreciam os laços familiares mais do que os amigos. E nem todo mundo acha tão legal essa coisa de pornografia, ou de ficar ofendendo ou constrangendo as pessoas na rede. Postar selfie é uma coisa. Postar ofensa pública ou foto constrangedora, mesmo para quem só viveu duas décadas... é bullying.

Nesse espaço de encontros e desencontros, a internet se legitima como uma arena social e afetiva, em que mais da metade das redes transformaram amigos virtuais em amigos reais. E seguem com a vida imitando a arte... ou melhor, a internet.

Publicada na edição da Folha do dia 8 de julho, a pesquisa DataFolha ouviu 2.400 pessoas em 175 cidades em junho de 2015 e tem muito a nos ensinar sobre jovens e internet, tradição e curtição digital. Curte aí!

Esse é o Papo de Futuro. Mande suas críticas e sugestões para o e-mail papodefuturo@camara.leg.br

Apresentação – Elisabel Ferriche e Lincoln Macário
Participação especial – Beth Veloso