Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

01/06/2015 11h08 - Atualizado em 05/01/2016 11h31

Papo de futuro: os abismos que permeiam as telecomunicações no Brasil

Na estreia do quadro “Papo de Futuro”, a consultora da Câmara para a área de ciência, tecnologia, comunicação e informática, Beth Veloso, analisa o cenário das telecomunicações frente ao desenvolvimento das novas tecnologias.

Hoje nos vamos começar uma jornada por um mundo novo. Um mundo que ainda não começou para uma boa parte dos ouvintes, mas que está revolucionando a maneira como vivemos e como nos relacionamos. A Internet é hoje, seja falando nela, ou usando ela, presença obrigatória em qualquer roda de conversa, no trabalho, no boteco, na igreja.

E por que a internet hoje faz parte das nossas vidas? Porque ela nos leva a lugares inimagináveis. É impressionante o que a Internet faz em termos de locomoção. Sabe aqueles filmes do tipo "De volta para o futuro?", ou seja, você entra no carro e simplesmente muda de dimensão e de época? É exatamente isso que a internet faz! Ela é uma máquina do tempo. Alguém duvida? Pois, então, entre nas páginas do site do Museu de Berlim e veja o busto de Nefertiti, uma famosíssima escultura feita de calcário com cerca de 3.400 anos de idade. Se isso não é uma viagem pelo tempo e pelo espaço, me contem outra.

Falar sobre telecomunicações só tem dois desafios: o primeiro é que você nunca sabe o bastante e nenhum setor da economia, ou melhor, nada, nos últimos 50 anos, avançou tanto quanto a comunicação de dados. Sim, é difícil imaginar que o celular é um jovem com pouco mais de 20 anos. Que já está ficando velhinho, por sinal. O novo telefone é, na verdade, um pequeno computador de bolso, ou seja, um telefone inteligente, ou smartphone. Sim, porque internet rima muito com inglês. Conhecer um pouco desse idioma universal é essencial para navegar por esse novo mundo digital de links e downloads. Neste comentário semanal que faremos, vamos falar um pouco sobre como a Internet está mudando as novas vidas; como é importante que a gente não apenas use a tecnologia, mas também fale sobre ela, e, como isso tudo tem muito a ver com o amanhã, precisamos urgentemente nos questionar sobre quais telecomunicações que queremos no Brasil.

Quer ver como isso é importante? O Brasil não foge à regra e aqui, quem manda no mundo digital, é o mercado. As políticas que avançam são aquelas para os que podem pagar. Até aí, tudo igual. Enquanto na Amazônia muita gente não consegue nem falar no celular, na Avenida Paulista, em São Paulo, pode-se levar apenas alguns minutos para acessar, por exemplo, o filme futurista "Mad Max" do seu celular, com as chamadas “conexões super-rápidas”. Se nada for feito, a tendência é que o abismo entre esses dois mundos se agrave, e isso não tem nada a ver comparar quem pode ter um Fusca ou uma Ferrari. Na verdade, o carro é um bem de consumo, como o telefone. Mas a estrada por onde o carro passa, assim como a estrada digital por onde vai toda a comunicação moderna, é um bem de primeira necessidade que deve ser oferecido a todos os brasileiros.

Discutir como criar novas estradas digitais, ou seja, mais redes de telecomunicações, é o grande desafio do momento no Brasil. A Internet brasileira é considerada de primeiro mundo no Brasil que deu certo, aquele onde a riqueza é maior. Por exemplo, o chamado 4G, ou seja, a Internet via celular mais rápida, está em 153 cidades, e está ao alcance, segundo dados das empresas, de 42% da população brasileira.

Uma das discussões nesta Casa, é como suprir esta lacuna. A pergunta número um é: o ideal não seria ter uma internet mail lenta, porém para todos? Ou ainda: quanto tempo vai levar para que a internet móvel chegue a todos os brasileiros?

Aqui, nós vamos falar sobre direito universal, uso da internet, direitos e deveres do usuário, como vai ficar o velho telefone no futuro e tudo mais que interessar o ouvinte e nos for perguntado. Este é um espaço democrático para falar de como as chamadas “telecomunicações” assumiram um papel tão estratégicos em nossas vidas, a ponto de as redes sociais serem hoje quase uma "fotografia instantânea" de tudo que nós fazemos.

A participação do ouvinte é superimportante para deixar essa conversa mais realista e com menos ares de ficção científica. O bom da internet é isso: é que ela acabou com a primazia de Hollywood e os grandes estúdios americanos de cinema para transformar o seu Zé e a Dona Patrícia em produtores de vídeos que alcançam milhões de acessos instantâneos no Youtube. O que dói nessa história é que nem todos podem colocar o seu Fusca ou a sua Ferrari para rodar nessa estrada da informação, porque, no Brasil, em muitos lugares, ela simplesmente leva nada a lugar nenhum.

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Com a Palavra", da Rádio Câmara***

Apresentação – Lincoln Macário
Participação especial – Beth Veloso