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02/10/2012 19:20

Discussão sobre uso de estrangeirismo vem à tona com expressões do esporte

Brazuca, o nome dado pela Fifa à bola que vai ser usada na Copa do Mundo de 2014, é escrito com "Z", apesar de o nome Brasil ser grafado com "S". A competição internacional de esportes disputada por pessoas com deficiência, antes chamada de Paraolimpíadas no Brasil, este ano passou a ser largamente divulgada como Paralimpíadas, para se adequar ao nome usado por outros países de língua portuguesa, derivado do inglês paralympic.

Afinal, até que ponto o uso de estrangeirismos pode prejudicar a língua portuguesa e deve ser proibido pelo governo, por exemplo?

Um projeto (PL 1676/99) do então deputado Aldo Rebelo, hoje ministro do Esporte, proíbe o uso de palavras ou expressões estrangeiras nos documentos da administração pública. Também determina que toda palavra escrita em língua estrangeira venha acompanhada da tradução para o português sempre que for mostrada nos meios de comunicação, nas mensagens publicitárias, e nas informações afixadas em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviço.

A proposta já foi aprovada na Câmara, foi ao Senado e, como foi modificada pelos senadores, tem que ser votada de novo pelos deputados. O texto já está pronto para ser incluído na pauta do Plenário.

Em entrevista à Rádio Câmara quando ainda era deputado, Aldo Rebelo explicou que a ideia central não é proibir o estrangeirismo, mas sim proteger o idioma nacional, como já acontece em outros países:

"Eu não vou dizer que os americanos são antibrasileiros porque defendem a língua inglesa e obrigam o aprendizado da língua inglesa nas suas escolas. E não vou dizer que os franceses são antibrasileiros porque obrigam a que qualquer expressão em português, para ser usada na França, seja convertida para o francês. Isso aí faz parte da defesa do bem-estar e dos direitos nacionais nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, no Japão, na China, para a população receber a informação em seu idioma."

A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende, do Democratas de Tocantins, considera que o uso dos estrangeirismos é inevitável, por causa do processo de globalização e do fácil acesso a informações em outros idiomas pela internet, filmes e TVs por assinatura, por exemplo:

"Essa tentativa de proteção da língua, eu acho que ela não tem efetividade, dado ao acesso aos meios de comunicação da forma como existe hoje. Tentaram proibir que as pessoas fossem registradas com nomes que não fossem brasileiros. Isso não tem efetividade. A mesma coisa quando alguém diz: ah, eu não quero acesso à educação à distância, porque eu não concordo. Se a gente quiser ou não, vai acontecer."

No entanto, a Professora Dorinha faz uma ressalva em relação ao termo paralímpico:

"Não está incorporado. A tendência nossa é fazer a junção automática de paraolímpico, de paraolimpíada. Eu achei estranho. Eu acho que as pessoas que defendem a utilização do termo, até pela proximidade com a nossa língua, eu acho que têm o sentido. Sei que o acordo foi feito para tentar unificar os países de língua portuguesa. Eu não sei se foi bem absorvido."

Nos documentos oficiais, o governo tem utilizado o termo paraolímpico. Já o nome do comitê internacional ficou mesmo como paralímpico.

De Brasília, Renata Tôrres




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