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28/01/2007 00h00

Período da história do Brasil conhecido como os "anos de chumbo"

Final da década de 60 e início dos anos 70, o Brasil vivia o contraste do milagre econômico com um dos períodos mais repressores comandado pelos militares. O governo transmitia aos brasileiros a imagem de um país coeso, emergente e de futuro. Campanhas ufanistas mostravam a face de um Brasil ideal, escondendo o atraso do país, e jamais davam sinais do processo de repressão e censura contra os que se opunham à ditadura. <br />

Nos últimos anos da década de 60 e início dos anos 70, ao mesmo tempo em que vivia seu período de milagre econômico e de ufanismo modernizante, o Brasil, governado por militares, montava o mais cruel sistema repressor que o país já viveu. Foram os chamados "anos de chumbo".

Na sua face boa, o governo transmitia aos brasileiros a imagem de um país coeso, emergente e de futuro.

Campanhas mostravam um país que ia prá frente, como pregavam os ideólogos do governo do general Emílio Garrastazzu Médici, eleito indiretamente em 1969.

Vale lembrar que o Congresso Nacional, fechado após o Ato Institucional número 5, foi reaberto dez meses depois para eleger o presidente da República.

O governo promovia campanhas com slogans como "Brasil, Ame-o ou Deixe-o", e canções como "Eu te Amo meu Brasil", marchinha criada pela dupla Dom e Ravel, e cantada por "Os Incríveis".


Eram campanhas ufanista que mostravam a face de um Brasil ideal, escondendo o atraso do país, e jamais davam sinais do processo de repressão e censura contra os que se opunham à ditadura.

O recuo no campo político convivia lado a lado com avanços significativos em outras áreas.

A ciência brasileira evoluía e o Brasil acompanhava o primeiro transplante de coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

A economia crescia a taxas de dois dígitos ao ano e a infraestrutura do país ganhava obras de grande porte como a rodovia Transamazônica, a ponte Rio-Niterói, e a construção da maior hidrelétirca do mundo, Itaipu, em conjunto com o Paraguai e a Argentina.

No campo da política internacional, a ampliação do mar territorial de 12 para 200 milhas rendeu até um samba muito tocado no início da década de 70.

Aquele foi também um momento grandioso para o esporte brasileiro, com diversas conquistas que foram exploradas pelo governo militar para enaltecer o momento do país.

Os brasileiros se empolgaram com a conquista do Tri-campeonato Mundial em junho de 1970, que trouxe definitivamente a taça Jules Rimet para o Brasil.

"Gol de Jairzinho, o quarto gol da vitória de 4 a 1 do Brasil contra a Itália."

A seguir, Emerson Fittipaldi se torna o primeiro brasileiro campeão de automobilismo, na Fórmula-1, em 1972. E Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, conquista pela primeira vez para o país o título de grande mestre internacional do xadrez.

Em 1972, o país comemorou os 150 anos da Proclamação da Independência. E na Semana da Pátria, o Congresso, em sessão solene, recebeu o presidente da República.

"A Agência Nacional passa a falar diretamente do Congresso Nacional em Brasília para transmitir a sessão solene que dentro de instantes será isntalada no Plenário da Cãmara dos Deputados em homenagem ao Sesquicentenário da Independência. A solenidade contará com a presença de sua Excelência, o Presidente da República, Senhoras e senhores foi executado o Hino Nacional simultaneamente nas galerias e do lado de fora do edifício do Congresso, enquanto que funcionários da Câmara e do Senado hastearam a bandeira brasileira nos mastros de ambas as Casas."

Nessa época em que a população brasileira ultrapassou 100 milhões de habitantes, o governo lançou um programa que pretendia erradicar o analfabetismo no país em dez anos, o MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização.

Na cartilha do Mobral, estava escrito que "o povo ajuda o país a crescer".

Uma lógica que excluía aqueles brasileiros que pediam a volta dos direitos políticos. E todos aqueles que obrigados a viver calados ou na clandestinidade queriam o fim da censura e da tortura.

No país dos calabouços que ninguém via ou sabia existir, muitos brasileiros foram presos e mortos. O leque de vítimas foi muito além da esquerda armada.

Em 1971, o deputado cassado Rubens Paiva é sequestrado e morto no Rio de Janeiro. O mesmo destino teve o estudante e militante do MR-8, Stuart Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel.

Nesse Brasil das sombras, mais de 13 mil pessoas foram indiciadas em inquérito pela Lei da Segurança Nacional. E mais de uma centena foi oficialmente reconhecida anos depois como desaparecidos políticos.

O regime militar alegava que o país vivia uma guerra revolucionária subversiva para a qual era exigido o combate ideológico implacável.

Sem poder expressar seu descontentamento com a ditadura política, uma pequena parte da oposição aderiu à luta armada. O governo respondeu prendendo, torturando e matando.

Nem mesmo artistas escaparam da repressão. Em São Paulo, o Comando de Caça aos Comunistas, um grupo paramilitar, espancou os integrantes da peça "Roda Viva" de Chico Buarque, que despontava na época como compositor de canções que continham metáforas para exprimir protesto.


Denúncias contra a máquina repressora partiam internamente da OAB, do MDB e de parte da igreja, na qual se destacou o arcebispo de São Paulo, Dom Evaristo Arns.

No exterior, as denúncias vinham da Comissão de Direitos Humanos da ONU, da Anistia Internacional e do Comitê Internacional de Juristas.

O governo militar negava a tortura a presos políticos, dizendo que a campanha internacional era difamatória.

O presidente Médici, ex-chefe do SNI, chegou a dizer em entrevista em Porto Alegre que o homem não foi feito para a democracia.

A segunda fase do governo militar, os anos de chumbo, encerrou-se com a posse na presidência da República, do general Ernesto Geisel. Com o novo governo, o estrangulamento político foi sendo suavizado aos poucos. Até a completa liquidação política da linha mais dura das Forças Armadas.

A quinze de março de 1974 tomou posse o general Ernesto Geisel que declara:


"Presidente Emilio Garrastazu Medici ao receber das mãos dignas de vossa excelência essa simbólica faixa presidencial."

Começava a política da chamada distensão lenta, gradual e segura do governo militar.

Este programa Câmara é História teve como trilha a música "Apesar de Você", cantada por Chico Buarque.

Consultoria musical de Marcos Brochado
Trabalhos técnicos de:
Produção, texto e Apresentação: Eduardo Tramarim
Coordenação de Jornalismo: Aprigio Nogueira.

O Câmara é História é uma produção da Rádio Câmara retransmitida gratuitamente por centenas de emissoras em todo o país.

Produção, texto e Apresentação: Eduardo Tramarim