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13/07/2017 - 17h17

Agência reguladora e parlamentares defendem uso maior de hidrovias na América do Sul

Jane de Araújo/Agência Senado
Transportes - hidrovias - Mercosul -Parlasul - Diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski (ao microfone)
Diretor-geral da Antaq, Adalberto Tokarski (ao microfone): uso do modal hidroviário no Brasil é irrisório e se limita a poucos produtos

Apesar de contar com grandes bacias hidrográficas, o Brasil pouco utiliza os rios para transporte de cargas e pessoas se comparado com países vizinhos como Paraguai, Argentina e Uruguai. Intensificar o uso das hidrovias na integração da América do Sul é o principal objetivo do Seminário Internacional "Hidrovias do Mercosul" realizado nesta quinta-feira (13) na Câmara dos Deputados.

Durante o evento, promovido em conjunto pela Comissão de Viação de Transportes da Câmara e pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, afirmou que o uso do modal hidroviário no Brasil é irrisório e se limita a poucos produtos. Minério de Ferro e manganês respondem, por exemplo, por quase 90% das cargas transportadas na Hidrovia Paraguai-Paraná.

Segundo ele, o volume de cargas no trecho chegou a 7 milhões de toneladas em 2014, mas caiu para apenas 3 milhões de toneladas em 2016. Hoje, 9 em cada 10 embarcações que navegam na hidrovia têm bandeira paraguaia. “Precisamos redefinir a política para as hidrovias para fomentar o uso desse tipo de transporte. É um caminho para o escoamento de grãos e outros produtos”, afirmou.

Países vizinhos
Há dez anos, o Brasil contava com 500 embarcações que faziam transporte hidroviário. Hoje, apenas 51 estão registradas na Antaq. O número é ainda mais preocupante quando comparado com os países vizinhos, segundo o diretor da Antaq. Paraguai tem 1.910 embarcações hidroviárias, enquanto que a Argentina conta com 850, Uruguai, 298, e Bolívia, 333. “A posição do Brasil incomoda. Entendemos que a hidrovia tem que ser um eixo de desenvolvimento dos países”, disse.

Torarski observou que o custo logístico é muito maior ao enviar um contêiner do Mato Grosso para a Argentina por meio do Porto de Santos, passando por rodovias, do que seria por transporte fluvial.

A senadora paraguaia Mirtha Melgarejo e os deputados José Stédile (PSB-RS) e Hugo Leal (PSB-RJ) destacaram a importância estratégica das hidrovias para facilitar o comércio entre os países do continente. “Precisamos de investimentos para transformar essas hidrovias efetivamente em uma política de integração”, assinalou Leal, que solicitou o debate.

De acordo com o diretor de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Erick Moura Medeiros, o governo trabalha na dragagem e sinalização de hidrovias e avalia a possibilidade de transferir a operação de alguns trechos à iniciativa privada, por meio de concessão. Incentivar o transporte aquaviário é uma preocupação do Ministério dos Transportes, garante.

Da Redação – RCA
Com informações da Agência Senado

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