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30/11/2016 - 20h57

Empresários de transporte defendem limite à gratuidade de passagens

Assunto foi debatido na comissão mista que analisa a Medida Provisória 748

Alex Ferreira/Câmara
Audiência pública (interativa) da Comissão Mista sobre a MP 748/16, que institui as Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Coordenador jurídico da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Ivo Carlos Palmeira
Ivo Palmeira: barreira a novas gratuidades ajudará a diminuir rombo

Empresários de transporte defenderam nesta quarta-feira (30) um limite à gratuidade de passagens de ônibus, trem e metrô. O tema foi debatido na comissão mista que analisa a Medida Provisória 748/16, que amplia para sete anos o prazo para os municípios elaborarem os Planos de Mobilidade Urbana (PMU).

A execução dos planos é uma exigência da Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12). A norma deu prazo de três anos para a elaboração do plano, que expirou em abril de 2015. Com a MP, as cidades terão até abril de 2019 para apresentar as metas de mobilidade.

A MP recebeu 37 emendas que incluem novos pontos ao texto. Uma delas exige que a gratuidade nas tarifas de transporte seja custeada com recursos financeiros específicos previstos em lei, sendo vedado atribuir o custo aos usuários do serviço.

Para o coordenador jurídico da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Ivo Palmeira, a gratuidade tarifária se justifica como benefício de assistência social, mas não deve ser ampliada. "Hoje essa gratuidade é custeada com a tarifa, os demais usuários usam o transporte público porque estão pagando essa gratuidade, estão pagando 20% a mais em média no Brasil por uma tarifa de transporte coletivo, seja ônibus, seja metrô ou trem. As emendas que estão na MP criam uma barreira para novas gratuidades, os vereadores não poderiam conceder as novas gratuidades a partir da edição da lei, o que já vai ajudar a diminuir esse rombo", afirmou.

Uso de bicicletas
Já o deputado João Paulo Papa (PSDB-SP), que solicitou o debate, é autor de três emendas, entre elas a que obriga as prefeituras de todas as cidades a implantar ciclovias e a que transforma a bicicleta em um meio de transporte público individual. O serviço seria remunerado e contaria com veículos de aluguel, incluindo bicicletas compartilhadas, para a realização de viagens individuais.

Alex Ferreira/Câmara
Audiência pública (interativa) da Comissão Mista sobre a MP 748/16, que institui as Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Dep. João Paulo Papa (PSDB-SP)
João Paulo Papa: bicicleta é alternativa de transporte público

"É transporte público individual, mas é uma alternativa de transporte público. Isso pode ser feito de várias maneiras, ou através de uma tarifa, uma tarifa de pequeno valor, módica, como já diz a legislação sobre transporte ou através de parcerias que possam ser estabelecidas em troca de publicidade", disse o parlamentar.

O presidente da comissão que analisa a MP 748, deputado Julio Lopes (PP-RJ), apresentou emenda que faz diversas alterações na Lei de Mobilidade Urbana. Uma das mudanças permite que municípios com frota total igual ou superior a 3 milhões de veículos implantem programas próprios de inspeção.

Lopes defendeu a ampliação de prazo para os municípios elaborarem os planos de mobilidade urbana. "Essa adequação [prevista na MP] é importante para que a gente tenha um estímulo aos municípios a se adequarem na legislação e poderem participar dos financiamentos", disse.

Segundo o Ministério das Cidades, após o encerramento do prazo, 171 municípios (que representam 23% da população brasileira) declararam já ter feito o Plano de Mobilidade Urbana. Esse universo equivale a apenas 5% dos mais dos 3.341 municípios obrigados a ter planos de mobilidade. Do total com plano implementado, 142 situam-se nas regiões Sul e Sudeste.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Pierre Triboli

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