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07/08/2018 - 15h27

Dieese e sindicatos criticam venda da Embraer para a Boeing durante audiência na Câmara

Convidados citam demissões e cobram melhorias na gestão da empresa

 

Michel Jesus/ Câmara dos deputados
Audiência Pública sobre a previdência da EMBRAER.
Debatedores denunciaram que o governo brasileiro investiu muito na Embraer e que agora querem "vender mal" a empresa

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados realizou nesta terça-feira (7) uma audiência pública sobre a venda de parte da Embraer para a Boeing sob o ponto de vista dos trabalhadores da empresa brasileira.

A representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Renata dos Santos, destacou que o governo brasileiro já investiu muito na empresa para agora praticamente vendê-la mal. Pelo acordo anunciado, a norte-americana Boeing vai pagar US$ 3,8 bilhões para ficar com 80% do controle da área de aviação comercial da Embraer.

Renata dos Santos sugeriu melhorias de gestão na empresa brasileira. E citou especificamente números que apontam uma renúncia fiscal de quase R$ 350 milhões por ano com a desoneração da folha de salários da Embraer desde 2012 e que não resultou em manutenção de empregos. Segundo ela, o total de 17 mil postos de trabalho foi reduzido em quase 2 mil.

Previdência
Herbert da Silva, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, disse que a denúncia precisa ser apurada. “A Previdência Social brasileira contribuiu com o lucro dos acionistas da Embraer e isso tem que ser bem dito nesta comissão aqui, que é a comissão que trata do tema. Uma política que foi adotada para beneficiar a população não trouxe benefício nenhum. Muito pelo contrário. Trouxe demissões nas fábricas”, disse Silva.

Já a representante do Dieese afirmou que o argumento de que a Embraer precisa de parceria com a Boeing porque a sua principal concorrente, a Bombardier, já está em parceria com a Airbus, não procede. Segundo ela, o negócio com a Boeing - que ainda precisa de autorização do governo federal - seria uma venda mesmo da aviação regional, cerca de 80% da empresa; e a Bombardier teria apenas uma parceria em um projeto específico.

Empregos

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De acordo com Renata dos Santos, cada emprego na Embraer tem relação com outros três empregos em áreas complementares ou no comércio da região onde ela atua. Portanto, a viabilidade da empresa no Brasil após a concretização do negócio deveria ser bastante discutida pelo governo.

O deputado Flavinho (PSC-SP), que pediu a audiência, criticou o que ele chamou de desinteresse dos colegas parlamentares com o futuro da Embraer dada a baixa presença nas discussões.

Os sindicalistas também citaram informações publicadas na imprensa de que o valor das ações da Embraer caiu 30% desde o anúncio da transação no começo de julho. Segundo as notícias, os investidores afirmam que o valor proposto para a compra da empresa é pequeno.

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

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Comentários

Antonio Oziris Mantovani | 08/08/2018 - 09h32
Se vai aumentar os números de empregos ou vai diminuir?Se diminuir é péssimo negocio se aumentar ótimo negocio. São 12 m de desempregados e os restantes não tem privilegiativos não! Vacilou rua.