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16/02/2017 - 20h33 Atualizado em 17/02/2017 - 11h16

Debatedores divergem sobre os números que embasam a reforma da Previdência

Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
Audiência Pública sobre aspectos relacionados ao RPPS
Deputados da comissão especial e convidados discutiram o regime de previdência dos servidores públicos

Novamente a questão dos números tomou conta de parte do debate na Comissão Especial da Reforma da Previdência nesta quinta-feira (16). Desta vez, os deputados discutiram o regime de previdência dos servidores públicos.

No caso do regime dos servidores civis da União, a argumentação dos representantes dos servidores é a de que o problema já teria sido equacionado para o futuro com as últimas reformas feitas. Desde 2013, por exemplo, os servidores que entram no sistema têm aposentadoria limitada ao teto do INSS e devem participar de uma previdência complementar se quiserem ganhar mais.

O representante do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Narlon Nogueira, disse que o deficit dos regime dos servidores civis federais – que hoje é de R$ 43 bilhões – aumentará nos próximos anos; mas depois apresentará alguma melhora e se estabilizará. De qualquer forma, ele afirmou que existem problemas que precisam ser corrigidos neste sistema, embora a pior situação esteja nos estados.

Privilégios dos servidores
O consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, Leonardo Rolim, disse que um exemplo de privilégio do servidor é a de que ele se aposenta aos 60 anos com 35 de contribuição e irá usufruir do benefício, em média, por pouco mais de 20 anos; e ainda poderá gerar uma pensão que deverá durar mais 9 anos.

A comissão especial analisa a PEC 287/16, que altera regras em relação à idade mínima e ao tempo de contribuição para se aposentar, à acumulação de aposentadorias e pensões, à forma de cálculo dos benefícios, entre outros pontos.

Tratamento diferenciado
José Robalinho Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, argumentou que os regimes têm que ser tratados separadamente – inclusive em relação à Previdência Social – porque eles foram desenhados para ter resultados diferentes. O governo vem somando o deficit do regime civil com o dos militares em suas apresentações.

Robalinho também citou como exemplo a aposentadoria dos trabalhadores rurais, que não está baseada em contribuições mensais: "Ela tem uma importância fundamental para o nosso País. Eu estou aqui para, como nordestino, até mais do que como procurador da República, dizer que ela não pode ser esquecida, ela tem uma importância fundamental. Mas colocar o déficit dela, R$ 90 bilhões, dentro do número geral... Na nossa cabeça, mesmo aqui com um debate cuidadoso e na população em geral, isso é visto como um problema grande. E vamos resolver isso através de mudanças atuariais? Não resolve. A previdência rural tem um outro conceito".

Idade e contribuição
Sobre o conteúdo da proposta de reforma da Previdência, o procurador afirmou que acredita na necessidade de alguma extensão da idade mínima, mas sugeriu que seja adotada a fórmula que leva em conta tempo de contribuição e idade em vez das regras de transição propostas.

As regras beneficiam quem tem 50 anos, se homem; e 45, se mulher. Mas, na sua opinião, elas seriam injustas para pessoas com idades próximas a estas.

Nos estados
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) disse que o tamanho da dívida previdenciária dos estados mostra a necessidade de a comissão fazer audiências regionais.

Para o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), este problema terá que ser enfrentado com mais força em algum momento: "Não há ambiente nos estados em função da degradação, não só moral, que estamos enfrentando, que é um episódio de corrupção da Operação Lava Jato; mas sobretudo da ambiência social e econômica em que estamos inseridos”.

Segundo ele, “não há possibilidade de, num futuro próximo, esses estados discutirem isso. E teremos que, num futuro próximo, discutir, sim, a questão da federalização da previdência destes estados porque eles estarão insolventes".

Fundos complementares
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) mostrou preocupação com o fato de a PEC 287 permitir a retirada do caráter "público" dos fundos complementares criados para a aposentadoria dos servidores públicos.

Mas, Narlon Nogueira, do Ministério do Planejamento, explicou que isso foi motivado pela dificuldade que alguns estados e municípios estão enfrentando para criar estes fundos em função da pequena quantidade de servidores que possuem.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Newton Araújo

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Comentários

Hilton Cezar Fraboni | 13/07/2017 - 08h32
Não é admissível votar uma reforma onde ainda não conhecem seus pormenores e nem tão pouco transferir o ônus para a parte superavitária que sustenta todas as demais. Essa suposta reforma deve ser feita setorialmente e fazer com que cada grupo seja superavitário em si mesmo para depois serem unificados. O modelo que seguem é humanamente insustentável porque dá a quem tem mais benefícios menos sacrifícios e vice versa.
Monica Pio Mendes | 06/03/2017 - 16h25
Respeitar os direitos já garantidos é o mínimo que o governo deve fazer pela classe trabalhadora. Trabalhadores não possuem o salário digno para suprir todas as necessidades e ainda querem destruir os poucos avanços já conquistados. Digo não a reforma!
Erasmo Neto | 17/02/2017 - 16h15
Segundo tele jornal no Japão já existe indenização a viúva que reclamou na justiça a morte do marido por excesso de trabalho e pesquisas indicando a elevação dos suicidios decorrentes do excesso de trabalho. Empresas cortam energia para evitar as horas extras.Se na segunda ou terceira economia mundial acontece isso,como vai ser o o Brasil do futuro?Com alto índice de suicidios?Competir com maquinas que não recolhem aposentadoria ou INSS é impossível continuar vivendo,mas é possível cometer crime e continuar vivendo na cadeia.Perdemos a liberdade mas preservamos a vida.