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27/12/2016 - 09h03

Discussão sobre a Reforma da Previdência deve mobilizar parlamentares e sociedade em 2017

Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária
Sessão para discutir e votar admissibilidade da Reforma da Previdência na CCJ em dezembro durou mais de 10 horas



Ainda no fim de 2016, a Câmara deu início à tramitação da reforma da Previdência enviada pelo governo. A mudança, prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, do Executivo, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto à admissibilidade em um placar de 31 a 20. Pelo posicionamento até mesmo de deputados que votaram a favor do texto, há indicativo de que a proposta deverá ser modificada na comissão especial que será formada em 2017.

A proposta do governo prevê aposentadoria para trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público aos 65 anos com 25 de contribuição. Mas a forma de cálculo do benefício inicial faz com que um trabalhador nestas condições receba apenas 76% da média do que contribuiu. Para ganhar o total da média, ele teria que trabalhar por 49 anos.

O teto do INSS, que em 2016 foi de R$ 5.189,82, seria o limite para a contribuição de qualquer trabalhador. Na prática, os servidores públicos que entraram após 2013 já estão nesta regra e precisam contribuir para um fundo complementar caso queiram receber mais na aposentadoria. Mas contribuir por 49 anos não garantirá o recebimento do teto porque será feita uma média das contribuições e pouca gente contribui pelo teto durante toda a sua vida laboral. A regra em vigor hoje retira da média 20% dos menores salários.

Mercado de Trabalho
O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) é contrário à idade de 65 anos porque a realidade brasileira, segundo ele, é de dificuldade de colocação no mercado de trabalho para os idosos, “Vai obrigar a pessoa a continuar contribuindo após os 60 anos como se nós estivéssemos no pleno emprego”, afirma.

Faria de Sá destaca que, atualmente, pessoas de mais de 40 anos já têm dificuldade de emprego e são 12 milhões de pessoas desempregadas. “O governo tem que atender o mercado financeiro, mas não pode deixar de atender o simples, o humilde, o abandonado do trabalhador brasileiro”, afirma.

Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) critica também à equiparação de condições entre homens e mulheres. “É um desrespeito à história de luta das mulheres brasileiras que têm a dupla jornada, a tripla jornada, e que têm também o seu horário de trabalho. Obviamente que isso lhe dá uma especificidade e um direito à aposentadoria com idade menor”, afirma.

Sistema insustentável
Mas o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) disse que o sistema previdenciário é insustentável e a reforma vai respeitar os direitos de quem tiver condições de se aposentar pelas regras antigas no momento da promulgação da emenda. “Nós entendemos que, de uma receita primária de R$ 1,320 trilhão para uma despesa de R$ 730 bilhões só da Previdência, nós não podemos comprometer o restante dos investimentos em saúde e em educação”.

Ele disse que pretende trabalhar para que o direito adquirido seja mantido, mas entende que as mudanças são necessárias para que próximas gerações tenham o direito de receber pela aposentadoria.

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Rachel Librelon

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Comentários

Paulo Pedroso de Almeida | 13/03/2017 - 15h47
Essa reforma só vai beneficiar os mais ricos e o mercado financeiro. Quem vai pagar a conta pela incompetência, corrupção dos políticos e a sonegação dos mais ricos, como sempre, são os mais pobres da sociedade. A previdência não está quebrada. Quem está quebrando o país é a corrupção.
Gilberto | 22/02/2017 - 20h21
Não sou contra a reforma da previdência, sou contra a falta de critérios com que esta proposta foi feita. Por exemplo, colocar uma idade fixa para a transição em 50 anos exatos é um exemplo da fanfarrice desta proposta. Quem tiver 49 anos 11 meses e 29 dias no dia da aprovação da PEC é menos brasileiro que seus pares, por ter nascido um dia mais tarde? Esta turma tem de dedicar dedicar um pouco mais de tempo para tratar de temas complexos como este. Não me permito pensar que é falta de inteligência, penso que é descaso mesmo!
César Ferraz | 06/02/2017 - 12h42
Por que o governo não cobra a dívida dos grandes credores da Previdência? Por que o dinheiro da DRU não é utilizado para cobrir esse rombo?? Por que nós´, temos que pagar essa conta?? Será que eles também vão ter o mesmo regime de aposentadoria que o nosso 65 anos a idade mínima?? O Brasil não é um grande escritório com Ar- condicionado, muita gente morre e não chega nem aos 50 que dirá aos 65.328n