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28/11/2012 - 13h55

Deputado defende votação nesta semana de fim do exame da OAB

Sérgio Almeida
Manifestantes pelo fim do exame da OAB
Bacharéis em Direito pedem o fim do exame da OAB, em audiência pública.

Uma proposta que põe fim à exigência do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB - PL 2154/11) para o exercício da advocacia poderá ser votada nesta semana pelo Plenário da Câmara. A afirmação é do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor do projeto. Para votação imediata, será necessário o apoio da maioria absoluta dos deputados ou de líderes partidários que representem esse número.

O projeto é polêmico e foi tema de audiência pública nesta quarta-feira (28) na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Deputados e movimentos sociais divergem sobre a necessidade do exame. De um lado, os que acreditam que o exame garante a qualidade da formação dos advogados; de outro, aqueles que defendem que a medida é corporativa e serve para a arrecadação de recursos.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliesco, que participou do encontro, admitiu que não há uma “opinião conclusiva” da entidade sobre o tema. No total, tramitam na Câmara 18 propostas sobre o assunto.

Reprovação
Organizações sociais estimam que existam cerca de 700 mil advogados em atuação no Brasil e 4 milhões de bacharéis em Direto impedidos de exercer a profissão porque não se submeteram ou não alcançaram nota suficiente para o registro na ordem. O índice de alunos aprovados no exame tem ficado sempre abaixo dos 20%.

Os altos índices de reprovação, de acordo com Eduardo Cunha, são uma incoerência. “Para que um curso de Direito funcione, ele deve ter a aprovação prévia da própria OAB. Isso está no Estatuto da Advocacia (PL 8906/94). Então, se eles opinam para criar os cursos, como vão agora dizer que esses cursos são ruins?” indagou.

O presidente da associação Ordem dos Bacharéis do Brasil (OBB), Willyan Johnes, chegou a dizer que o exame da ordem “objetiva a reprovação em massa”. “Nem os professores de cursinho acertam as pegadinhas da OAB”, argumentou. “Os cursos de Direito viraram hoje simples cursinhos preparatórios muito caros”, alertou a presidente da Associação Bacharéis em Ação, Gisa Almeida Moura.

Fiscalização
O deputado Sibá Machado (PT-AC), que também defende o fim do exame da OAB, acredita que a origem do problema está na fraca fiscalização da qualidade dos cursos superiores privados oferecidos no Brasil. “São muitos cursos de Direito. Na origem, já sou contra isso, até porque precisamos de outros profissionais. Cabe ao Ministério da Educação fazer um pente fino e fechar os cursos que não se sustentam”, argumentou Machado, que solicitou a audiência desta quarta, em conjunto com o deputado Carlos Magno (PP-RO).

Dados da própria OAB, do primeiro semestre deste ano, mostram que, das 20 instituições que mais aprovaram em termos proporcionais no exame, apenas uma é particular. “O MEC tem liberado cursos demais, sem acompanhamento da qualidade”, alertou Sibá Machado.

Sem contradição
Para o assessor jurídico do Conselho Federal da OAB Oswaldo Pinheiro Ribeiro Júnior, no entanto, o exame da ordem não entra em contradição com o trabalho do Ministério da Educação: “O exame de ordem nunca se propôs a avaliar diretamente a qualidade do ensino jurídico. Claro que, de forma indireta, isso acaba ajudando na tarefa do MEC de fiscalizar os cursos. O que está em jogo no exame, porém, é a aptidão técnica do futuro advogado”.

Oswaldo Júnior acrescentou que o exame da OAB, que foi declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro do ano passado, favorece principalmente os clientes com menos recursos: “O exame da ordem é a forma de garantir que os advogados têm condições de representar seus clientes. Nas relações de consumo e trabalhistas, por exemplo, a parte mais forte, das empresas, certamente estará bem representada, com os advogados mais bem preparados. A parte mais fraca também precisa de garantias”.

Para o deputado Glauber Braga (PSB-RJ), o fim do exame deve piorar a qualificação dos advogados no Brasil. “A possibilidade de postular em juízo, como a dos advogados, envolve direitos civis essenciais, como a liberdade. É algo muito importante que deve exigir uma capacitação especifica. E a OAB pode definir se o estudante que se formou tem efetivamente essa capacidade”, alertou.

Glauber Braga chegou a afirmar que algumas iniciativas de projeto de lei que acabam com o exame da ordem “visam somente a enfraquecer a instituição”. “Muitas defesas da OAB são, algumas vezes, contrárias às posições de determinados políticos no Congresso. Independentemente de concordar ou não com o posicionamento da presidência atual do órgão, os deputados não devem ser contrários à instituição”, argumentou.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Carolina Pompeu
Edição – Daniella Cronemberger

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

xavier | 03/12/2012 - 23h56
Que me desculpem os demagogos, independente de ser ou não aprovado pelo exame de ordem, não o defenda pela paixão, defenda-o com argumento constitucional. Data Vênia Daniele Lima, O exame fere de morte muitos príncipios asseverados pela Constituição. Voce sabia que o exame foi instituído por um provimento? Que retirou a autonomia do Ministério da Educação? "Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei" e onde está a lei? Está a famigerada OAB usurpando poderes do MEC? a lei foi votada, aprovada e assinada pelo presidente (a)? carecem pesquisar mais...
Daniele Lima | 29/11/2012 - 14h44
Um absurdo!Se uma pessoa estudou 5 anos e não tem capacidade de acertar 40 questões e fazer uma peça não tem como defender um cliente!Se não é capaz de elaborar uma inicial ou defesa como o fará num caso real? A prova da Ordem é FACIL gente se eu não tivesse passado não iria culpar a ordem, culparia a mim que não estudei o suficiente! Vocês não conhecem aa realidade.. os alunos não estão na sala de aula estudando, estão no bar bebendo, enquanto a realidade mental dos graduandos não mudar eu sou a favor simmm da prova da OAB, com ela já temos advogados lamentáveis imagine sem.
AOM | 29/11/2012 - 11h26
Considero o exame da ordem, como o próprio fator previdenciário que regular as aposentadorias " UM MAL NECESSÁRIO" se eles são males, tem que serem eliminados. Os bacharéis não conseguem derrubá-lo e os aposentados, também não. É incrível o que nossos deputados e senadores fazem com o povo. Os jovem bacharéis não podem trabalhar e os aposentados não podem viver com o fator previdenciário. Diz, o Líder do Governo na Camará, deputado Arlindo Chinaglia que a PL 3299/2008 será votada somente no ano que vem. É manobra pura. É exatamente o que a OAB faz, com o exame, manobra.
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