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17/08/2018 - 15h35

Deputado faz balanço positivo da intervenção na segurança do Rio

Enquanto Hugo Leal credita o crescimento no número de mortes ao aumento dos confrontos, conselheiro do Observatório da Intervenção diz que agora há "licença para matar"

O deputado Hugo Leal (PSD-RJ), coordenador da comissão externa da Câmara que acompanha a intervenção na área de Segurança Pública no Rio de Janeiro, faz um balanço positivo dos seis meses de atuação da operação militar.

Will Shutter/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a  aplicação, eficácia e eficiência de plano de contingência da Petrobras, para manutenção da logística de abastecimento e distribuição na cadeia de combustíveis. Dep. Hugo Leal (PSD - RJ)
Hugo Leal fez balanço positivo da intervenção na segurança do Rio

Ele afirma que, na verdade, é preciso considerar apenas três meses, porque o gabinete da intervenção apresentou o plano de trabalho em maio. Hugo Leal explicou que um dos ganhos mais importantes da intervenção foi o restabelecimento da autoridade nas polícias.

"Antes não havia política de combate ao crime. Havia a política da convivência. Obviamente, o que para mim falta ainda é um pouco mais de inteligência e de tecnologia para evitar o confronto”, afirmou.

O deputado acredita que o número de mortes aumentou no período da intervenção porque os confrontos aumentaram. “Mas o confronto, principalmente nestes últimos seis meses, está se tornando inevitável. Porque a expansão do ilícito, da marginalidade, do tráfico, da milícia, foi tão grande, que eles não se conformam em perder território", disse.

Hugo Leal disse ainda que os recursos de R$ 1,2 bilhão alocados para as operações estão sendo em parte usados para reequipar as polícias e a parte técnica das investigações como a perícia.

Já o Observatório da Intervenção, formado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, não fez um balanço positivo. Foram 2.617 homicídios dolosos, sendo que 736 moradores e 51 agentes de segurança foram mortos. Somente na baixada fluminense, teria havido um aumento de 48% nas mortes em ações policiais.

Silvia Ramos, coordenadora do Observatório, destacou que o gabinete da intervenção ainda não solucionou os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Itamar Silva, conselheiro do Observatório, relata outros efeitos da intervenção.

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"A intervenção não só não produziu dados positivos em relação à questão da violência como aprofundou o preconceito da sociedade em relação à favela. A favela é vista como o lugar onde a violência será resolvida. E a licença para matar foi institucionalizada", opinou.

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou que, pelo quarto mês consecutivo, o indicador de roubo de veículos registrou redução de 29% em julho. Já os roubos de carga tiveram queda de 28% no trimestre encerrado em julho em comparação com o mesmo período de 2017. O roubo de rua teve queda de 11% na comparação trimestral.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Ana Chalub

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