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04/07/2018 - 17h52

Comandante da Aeronáutica defende parcerias da Embraer com outras empresas

Deputados da oposição criticaram as negociações da fabricante brasileira de aviões com a norte-americana Boeing

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, disse nesta quarta-feira (4) aos deputados da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional que a Embraer não pode deixar de analisar propostas de parceria com outras empresas, pois precisa de recursos para tocar seus projetos. Ele lembrou que a maior parte dos empreendimentos da Embraer vem do governo. Durante a audiência pública, o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, afirmou que o orçamento tem sido insuficiente para os investimentos necessários em vários setores.

Questionado pelos parlamentares sobre a venda de parte da Embraer para a norte-americana Boeing, Rossato respondeu que os entendimentos feitos até agora preservam totalmente as subsidiárias da empresa brasileira na área de defesa.

Ele informou que a Embraer está finalizando os projetos dos aviões E-2 e KC-390 e que, caso não surjam outros empreendimentos, possivelmente haverá demissões de engenheiros. “Então é justo que a empresa analise as possibilidades de negócios. Não existe nada de concreto, há estudos sendo feitos, mas nós estamos considerando muito essa questão de soberania”, declarou.

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o governo deveria preservar a empresa integralmente. “É um crime de lesa-pátria. Estamos entregando a estrangeiros o desenvolvimento aeronáutico feito por engenheiros daqui”, disse. “A Boeing falou que pretende renovar o seu quadro de engenheiros com os profissionais brasileiros. Então os engenheiros brasileiros serão transferidos para os Estados Unidos? E quem vai garantir que a produção das aeronaves não será transferida também daqui dois ou três anos?”, acrescentou.

Intervenção federal
A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) indagou Joaquim Silva e Luna sobre a eficiência da intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro. Na opinião da parlamentar, os recursos gastos na intervenção deveriam ser direcionados para os sistemas de defesa nas fronteiras, coibindo o tráfico de armas e de drogas.

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O ministro, entanto, disse acreditar que haverá um saldo positivo da intervenção sob a ótica da reestruturação das forças policiais. “Há todo um trabalho para melhorar a estrutura de modo que, não as Forças Armadas, mas as polícias militares adquiram condições para cumprir suas funções”, comentou.

Orçamento
Joaquim Silva e Luna informou que o orçamento que pode ser usado para despesas não obrigatórias das Forças Armadas é de apenas R$ 13,3 bilhões em 2018, e que o montante vem caindo ano a ano. Segundo ele, há risco de redução das atividades nas áreas de fronteiras, na Antártica e até em horas de voo caso não sejam aportados mais R$ 5 bilhões em 2019. O ministro ainda apresentou tabelas que mostram que os militares ganham menos que várias forças policiais estaduais.

Sobre as negociações com os Estados Unidos em torno do uso da base de lançamento de Alcântara, no Maranhão, Joaquim Silva e Luna utilizou argumentos semelhantes ao caso da Embraer. Ele destacou que a Argentina investe quase R$ 1 bilhão por ano em programa espacial, dez vezes mais que o Brasil. Conforme o ministro, se não há investimento, melhor negociar o ativo – no caso, a localização privilegiada – enquanto ele não se torna obsoleto por inovações tecnológicas.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Marcelo Oliveira

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