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09/11/2017 - 19h17

Câmara aprova projeto que restringe saída temporária de presos

Se o preso for reincidente, terá de ter cumprido metade da pena, em vez de ¼ como é hoje. Texto também prevê outras medidas, como o aumento do cumprimento mínimo de pena para saída temporária de condenado por crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos
Deputados aprovaram projeto que altera regras da saída temporária de presos em regime semiaberto, conhecida como “saidão”

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (9) o Projeto de Lei 3468/12, do deputado Claudio Cajado (DEM-BA), que muda regras de saída temporária de presos em regime semiaberto, conhecida como “saidão”. A matéria será enviada ao Senado.

Esse tipo de saída ocorre em dias festivos como Natal e Dia das Mães, com o objetivo de contribuir para a ressocialização dos presos. Os críticos da medida, no entanto, argumentam que os condenados aproveitam a saída para cometer novos crimes.

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), incorporando emendas apresentadas em Plenário.

De acordo com o substitutivo, para o juiz conceder o benefício dependerá de parecer favorável da administração penitenciária e, se o preso for reincidente, terá de ter cumprido metade da pena, em vez de ¼ como é hoje.

Hediondos
Para os condenados a crimes hediondos, prática de tortura, tráfico de drogas e terrorismo, o cumprimento mínimo de pena aumenta para poder concorrer ao saidão. Se for réu primário, terá de cumprir 2/5 da pena e, se reincidente, 3/5.

O tempo total é reduzido de sete para quatro dias e a quantidade de vezes que a saída temporária poderá ser renovada no ano passa de quatro para apenas uma vez.

Outra novidade no relatório de Almeida é que o juiz deverá determinar o uso de equipamento de monitoração (tornozeleira eletrônica), se disponível; e comunicar aos órgãos de segurança pública quais presos contarão com o benefício.

Agravantes
O texto também introduz novos agravantes no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40). O agravante aumenta a pena inicial que o juiz poderia estipular para um determinado crime.

Um deles é para o caso de crime cometido pelo preso no período em que foi beneficiado pela saída temporária. Os outros casos são para crime cometido enquanto a pessoa está no presídio ou para crime cometido em concorrência com pessoa já presa.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Pierre Triboli

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Danilo da Ferreira | 10/11/2017 - 13h20
Ao meu ver presos não deveriam sair em qualquer situação , uma boa porcentagem de presos ao sair não retornam para os presídios, e quem acaba sofrendo é a população. Um pessoa que morre nas mão de uma bandido não volta mais para a sua família. Um bem comprado com muito sacrifício e trabalho muitas das vezes é roubada e não se encontra mais. Lugar de preso é dentro da prisão.
Robson | 10/11/2017 - 12h51
Os canais de televisão estão fazendo várias reportagens mensurando a quantidade baixa de aprovações sobre a matéria de segurança pública.  Ainda falta: 1) reformulação do ECA , 2) Atualização das FORMAS e atos enquadrados como TERRORISMO , 3) Obrigatoriedade de PARLATÓRIO nos presídios , 4) Aumentar o tempo de cumprimento de pena em regime fechado para que o condenado por crime hediondo. 5) E o Senado fazer a parte dele aprovando a REDUÇÃO da Maioria Penal.
rodrigo | 10/11/2017 - 09h27
Muito preocupante quando militares criam e relatam projetos e deputados sem informações da realidade da Execução penal que não conhecem do cumprimento aprovam um projeto como esse. Exemplo: Um preso que foi condenado a 30 anos de reclusão(reincidente) cumpre 1/6 (5 anos) para progredir para o semiaberto, mas precisará: * 1/6 para progredir para domiciliar = 4 anos e 1 mês (total 9 anos e 1 mês para estar de domiciliar) * 1/2 para ter o benefício de saídas temporárias(15 anos de prisão) O reeducando reincidente jamais terá direito ao benefício de saídas temporárias, pois irá progredir antes