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03/11/2015 - 21h37

Estatuto de Controle de Armas de Fogo vai a Plenário

Texto substitutivo foi aprovado pela comissão especial, com destaque que permite prisão por porte ilegal de arma mesmo em caso de legítima defesa

A Comissão especial da Câmara dos Deputados que analisou mudanças no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) aprovou nesta terça-feira (3) a criação do Estatuto de Controle de Armas de Fogo, revogando o estatuto vigente. O texto aprovado, que segue para a análise do Plenário, é um substitutivo do relator, deputado Laudivio Carvalho (PMDB-MG), para o Projeto de Lei (PL) 3722/12 e outros 47 projetos apensados.

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Veja as modificações propostas no substitutivo aprovado na comissão especial que discutiu o assunto  

O novo estatuto assegura a todos os cidadãos que cumprirem os requisitos mínimos exigidos em lei o direito de possuir e portar armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio. Atualmente, ao requerer o registro, o interessado precisa declarar a efetiva necessidade da arma, o que permite que a licença venha a ser negada pelo órgão expedidor.

O texto aprovado também reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas no País; estende o porte para outras autoridades, como deputados, senadores e agentes de segurança socioeducativos; e retira os impedimentos para que pessoas que respondam a inquérito policial ou a processo criminal possam comprar ou portar arma de fogo.

Divergências
Para o relator, as mudanças atendem à vontade da maioria dos brasileiros, que, segundo ele, teve os direitos sequestrados com a edição do Estatuto do Desarmamento, em 2003. “O que queremos é devolver ao cidadão de bem seu direito de defender a própria vida, da sua família e a sua propriedade, já que o Estado é ineficiente”, defende Carvalho.

“A aprovação deste ‘estatuto de armamento ou de descontrole das armas’ significa uma confissão de falência do Poder Público. Estamos dizendo: ‘graças à nossa incompetência, defendam-se vocês, vivam em um faroeste, porque somos incompetentes”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), ao criticar a redução da idade mínima para a compra de armas no País.

Alteração do texto base
O único destaque aprovado nesta terça-feira, de autoria da Rede, suprime a parte do substitutivo que impedia a prisão em flagrante por porte ilegal ou disparo de arma de fogo se a arma fosse registrada e houvesse evidências do seu uso em situação de legítima defesa. Assim, a prisão por porte ilegal de arma de fogo continua podendo ser lavrada, mesmo em caso de legítima defesa. Todos os demais destaques foram rejeitados.

O substitutivo aprovado determina ainda que para comprar uma arma de fogo o interessado não deverá possuir condenações criminais pela prática de infração penal dolosa (intencional), nas esferas estadual, federal, militar e eleitoral. Na prática, pessoas que respondam a inquérito policial, a processo criminal ou que sejam condenadas por crime culposo (não intencional) vão poder comprar e portar arma de fogo. "A condenação de quem quer que seja ocorrerá ou não ao final do processo. Manter esse dispositivo seria condenar previamente alguém sobre o qual o Poder Judiciário ainda não se pronunciou”, justificou Carvalho.

Atualmente, o Estatuto do Desarmamento nega a posse e o porte de armas para pessoas que respondam a inquérito policial, a processo criminal ou tenham antecedentes criminais. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) sustentou que a proposta é um atestado de falência do Estado. “Vamos abrir mão de construir um aparato de segurança e dizer aos nossos filhos para que eles se armem?”, perguntou.

Por outro lado, o autor do projeto principal (PL 3722/12), deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) avaliou que é preciso respeitar o direito da maioria da população, que, em 2005, votou por meio de referendo contra a proibição do comércio de armas no País. “Vou dizer aos meus filhos que estamos resgatando o nosso direito. Não estamos armando ninguém.”

Íntegra da proposta:

Reportagem - Murilo Souza
Edição - Luciana Cesar

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Comentários

Josenilton Francisco dos Santos | 22/02/2018 - 05h30
Bom dia a todos. Eu sempre fui a favor de que o cidadão de bem tenha o direito de se defender. Infelizmente vivemos em um país onde as nossas leis só servem para beneficiar bandidos. Sou a favor sim. E digo mais, precisamos mudar também o calibre ultrapassado dessas armas.
Alvani Pacheco Júnior | 21/02/2018 - 23h54
Sou a favor do estatuto do ARMAMENTO,esse mês de fevereiro de 2018, no distrito de Floresta, zona rural do município de Central de Minas/MG, onde morava um senhor idoso de 70 anos de idade, produtor rural, teve sua casa invadida por bandidos, para roubarem sua aposentadoria e seus pertences,os bandidos não satisfeitos com seus atos de crueldade, tiveram a Coragem de tirar a Vida do idoso, de forma covarde, onde teve como causa da morte, asfixia mecânica por constrição cervical( enforcamento), trabalhou a vida toda na zona rural, trabalho muito pesado, e no final da vida morrer desse jeito.
Fernando Henrique Felix França | 21/02/2018 - 12h45
O direito de comprar uma arma após preencher os requisitos legais, não é fato motivador de destruição, caos e homicídios em massa. A causa desses, são a ausência do Estado em todas as suas esferas de competência, ao não punir como deve o infrator, o criminoso. Ao fazer um comparativo com países que a comercialização é liberada, a mídia mostra o direito do cidadão de comprar uma arma, fosse o vilão nesses países. Porém no Brasil um país que o porte não é permitido ao cidadão, se mata mais pessoas que a guerra da Síria. Não estamos no caminho certo, porém podemos mudar a legislação.