20/11/2018 - 19h52

Especialistas cobram mais atenção à saúde do homem

Intoxicação por agrotóxicos e desinformação sobre doenças são apontados como principais problemas para população masculina rural

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
XI Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem
Debatedores que participaram do fórum alertaram para a falta de acesso da população rural aos serviços de saúde

Cerca de 30 milhões de brasileiros vivem nas áreas rurais dos municípios. Um grupo em geral com baixa escolaridade, que começou a trabalhar cedo e que não é bem atendido pelo sistema público de saúde.

Especialistas reunidos nesta terça-feira (20) na Câmara dos Deputados, onde participaram do 11º Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem, promovido pela Comissão de  Seguridade Social e Família, listaram os problemas que o morador do campo enfrenta para manter a qualidade de vida.

O urologista Rômulo Marocollo Filho lembrou que não há programas voltados para a saúde do homem. E citou um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), feito em 174 países, que mostra que o acesso da população rural aos serviços de saúde é 50% menor do que o dos habitantes das cidades.

“Quando precisa especialmente de atendimento especializado, ela vai migrar para um grande centro, onde já chega e entra no final da fila de quem já está lá. Isso é um problema crônico também”, disse Rômulo Filho. 

Agrotóxicos
O tema mais polêmico do fórum foi a relação entre o uso de agrotóxicos e a saúde do homem do campo. O representante da Confederação Nacional de Agricultura, Reginaldo Minaré, enfatizou a importância de que o agricultor só compre produtos que passaram pela análise dos órgãos de controle de qualidade e que o pesticida seja utilizado de acordo com as recomendações técnicas. Ele também recomendou um programa de educação e treinamento dos trabalhadores agrícolas.

Já Daniel Coradi, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), levou para o debate um perfil das vítimas de intoxicação por agrotóxicos no país: homens adultos, trabalhadores avulsos ou temporários, que se contaminam durante a pulverização ou a diluição do produto. São, em média, 80 a 90 casos de intoxicação por ano. Segundo ele, de 2003 a 2017, a Anvisa tem feito reavaliações dos defensivos agrícolas.

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“Dos 15 que nós avaliamos durante este período, 10 foram já proibidos e não são mais utilizados no Brasil; um vai ser proibido a partir de 2020 e vai poder ser comercializado com muita restrição até este período e quatro deles sofreram alguma restrição: ou restrição de cultura, ou restrição do tipo de aplicação que pode ser feita e esses processos já foram implementados”, observou.

Desinformação
Para o deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES) falta informação à população do campo sobre a utilização dos agrotóxicos. “Só quem tem acesso são os grandes produtores rurais. O pequeno produtor, a agricultura familiar, ela tem muito menos acesso. E aí ela não conhece a gravidade do manuseio e a toxicidade que esse produto pode trazer, não somente a quem está utilizando, mas também a quem está no entorno”, disse.

O fórum trouxe algumas experiências positivas em relação à saúde do homem do campo, como a parceria entre a Sociedade Brasileira de Urologia e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que resulta em mutirões para a prevenção do câncer de próstata e de pênis. Também há distribuição de material educativo sobre os principais tipos de câncer que atingem o homem.

Reportagem - Cláudio Ferreira
Edição – Roberto Seabra

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