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11/07/2018 - 18h06

Debatedores apontam falta de atenção do SUS para câncer de cabeça e pescoço

Principais fatores de risco para a doença são tabagismo, consumo de álcool, infecção por HPV e falta de higiene bucal

Will Shutter/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a prevenção do câncer de cabeça e pescoço no país
Comissão debate prevenção ao câncer de cabeça e pescoço, que atinge 40 mil pessoas por ano no Brasil

O câncer de cabeça e pescoço atinge 40 mil pessoas todos os anos no Brasil. No mundo, a estimativa é que 500 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente. Ele pode ocorrer na boca, língua, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe e laringe. O câncer de boca chega a ser o quarto tipo de tumor mais frequente em algumas regiões do País.

Para conscientizar a população sobre a gravidade desse tipo de câncer e alertar para as causas e sintomas, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço promove o julho verde. A doença foi o tema de audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família.

A Presidente da Associação de Câncer de Boca e Garganta, Melissa do Amaral, destacou a falta de atenção do SUS com esse câncer, mesmo com sua gravidade. Ela é portadora de câncer de laringe e usuária da prótese que permite a fala para pessoas que tiveram a laringe removida e disse que o acesso a esse aparelho é muito difícil a pessoas que não têm condições financeiras.

"Esse é um problema grave, a falta de atenção para conosco. Se você sabe que tem cerca de 12 mil laringectomizados mudos no País, por que nós estamos há quatro anos pedindo para o Ministério da Saúde regularizar a prótese? Por que é demorada uma coisa que não precisa de explicação para dizer que é grave, é urgente?", questionou.

Sobrevivência
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Luiz Eduardo de Melo, afirmou que os índices de sobrevivência desses cânceres praticamente não evoluíram nas últimas décadas, o que considera inadmissível. Ele explicou que a atenção nos postos de saúde básica é essencial, pois o diagnóstico rápido é bom para o paciente e para o governo, pois os custos do tratamento no estágio inicial da doença são baixos, o que não ocorre quando o câncer já está avançado.

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A representante do Ministério da Saúde na audiência, Maria Cecilia Camargo, destacou os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço, que são tabagismo, consumo de álcool, infecção por HPV e falta de higiene bucal. Ela admitiu que a rede pública não consegue atender esse problema adequadamente em nenhum lugar do País, mas disse que há um plano de expansão ocorrendo desde 2012.

A deputada Zenaide Maia (PHS-RN) afirmou que a audiência foi de extrema importância. Ela acredita que um passo importante nessa luta é retirar propagandas de bebidas alcoólicas da televisão.

Já a deputada Flávia Morais (PDT-GO) destacou a necessidade dos deputados trabalharem de forma a acelerar a ampliação dos serviços de radioterapia.

O próximo dia 27 é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. O palácio do Congresso Nacional está iluminado de verde para ajudar na campanha para dar visibilidade à doença.

Reportagem - Giovanna Maria
Edição – Wilson Silveira

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