05/06/2018 - 16h03

Pacientes e médicos cobram do SUS oferta de insulina

Medicamento foi comprado, mas faltam agulhas. O governo não deu prazo para que o problema seja resolvido

Pacientes e médicos cobraram uma solução para a introdução da insulina análoga de ação rápida no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento atende pessoas com diabetes tipo 1. O governo comprou a insulina e parte do equipamento para a aplicação, mas esqueceu as agulhas. 

Cleia Viana/Câmara dos deputados
Audiência Pública para debater sobre o acesso aos insumos, medicamentos e ao tratamento para diabetes no SUS
Debate na Comissão de Seguridade sobre diabetes, doença que atinge 16 milhões de brasileiros

Em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (5), Arnoldo de Oliveira Júnior, representante do Ministério da Saúde, não deu prazo para que o problema seja resolvido. Ele reconheceu que há má gestão na distribuição de medicamentos, dificuldades nas licitações e falta de remédios no mercado.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, 80% do orçamento da saúde no Brasil são gastos com as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como o diabetes. "A gente fica pensando nas transmissíveis, como febre amarela, dengue, malária, que são importantes, mas o impacto devastador, social e onômico de alteração da qualidade de vida é

capitaneado infelizmente pelas DCNTs", alertou.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 16 milhões de brasileiros têm diabetes. Mas por falta de investimentos na prevenção da doença, outros 7 milhões ainda não estão com o diagnóstico fechado. Quem já sabe que tem a doença enfrenta falta de insumos e medicamentos.

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Vanessa Pirolo, da Associação de Pacientes com Diabetes, relatou que, na região de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, por exemplo, algumas pessoas acabam machucando a ponta dos dedos, porque não existe equipamento adequado para fazer o teste de glicemia.

"Nós precisamos ter acesso aos tratamentos adequados, à tecnologia adequada, de acordo, é claro, com a eficiência da tecnologia e muitas vezes tem que ser um passo a passo. Mas não ter lanceta para pessoa furar o dedo, é uma conta muito burra", lamentou.

Poucos médicos
Outro número considerado alarmante foi exposto durante a discussão: são apenas 5 mil endocrinologistas para fazer a prevenção e o tratamento do diabetes em todo o País.

Por isso, um consenso entre os profissionais é que uma melhor qualificação das equipes de saúde para o combate à doença poderia contornar essa falta de médicos, como explica a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), autora do requerimento para realização da audiência.

"Tem uma grande proposta de uma educação continuada que pode ser a distância para todos os trabalhadores da área da saúde", recomendou.

Frente Parlamentar
Depois da audiência pública, foi formalizada a criação da Frente Parlamentar Mista pela Causa do Diabetes. Uma das propostas do grupo é trabalhar pela aprovação do projeto de lei (PL 6754/13) que estabelece a Política Nacional de Prevenção do Diabetes e de Assistência Integral à Pessoa Diabética. A proposta já passou pela Câmara e agora está sendo examinada pelo Senado.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Cláudio Ferreira
Edição - Geórgia Moraes

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Comentários

Adriane Teixeira Guimaraes | 17/01/2019 - 13h56
Meu filho foi diagnosticado com Diabetes tipo 1,em setembro de 2.018.Que pais é este? Nem sequer o aparelho para medir a glicose conseguimos,as insulinas que ele usa não está na lista dos medicamentos SUS...enfim,estou com muitas dificuldades para manter as despesas (que são caras)para cuidar da saúde do meu filho.(um jovem estudante) E ai?Ele tem direito por lei de estar amparado,mas até hoje NÃO. Procurei ajuda na secretaria de saúde e sai triste é frustrada diante dos absurdos que ouvi.Alguem poderia me ajudar?Me orientar?
Erasmo Neto | 06/06/2018 - 10h05
É histórico;quem se propõem a fazer bem para construir o bom para a sociedade,geralmente é agredido pelos ignorantes,comerciantes e outros psicopatas que se autoafirmam eleitos pelo povo.Médicos(a),enfermeiras(o) e até serventes sofrem agressão física verbal nas UBs e nas UPAs,sem falar das contaminações que muitas vezes conduzem esses profissionais a morte.Se a lei é igual para todos deveria ter o mesmo sistema de segurança que o congresso nacional e presidência da republica possui para se auto-proteger. Ex. da hipocrisia;adoram jogadores de futebol,agridem médicos(a) e suas equipes?