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04/12/2017 - 14h51

Câmara faz sessão para lembrar a luta contra a Aids, que ainda mata 15 mil pessoas por ano no Brasil

Há 30 anos foi instituído o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Mas as estatísticas indicam que ainda é necessário intensificar o combate à transmissão do vírus, que atinge hoje 830 mil brasileiros

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Sessão de homenagem ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids
Ativistas protestaram contra falta de recursos para o combate à Aids na rede do SUS. Ministério da Saúde alertou para o crescimento da doença entre os homens de 14 a 29 anos. E a deputada Érika Kokay lembrou que o preconceito contra a doença ainda persiste

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene na última sexta-feira (1), data mundial escolhida para reforçar a solidariedade com as pessoas portadoras do vírus da Aids, estimular o conhecimento e debater sobre a doença, assim como combater o preconceito.

Representantes de organizações destacaram que a ausência de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma melhor estrutura, material para testes e oferta de medicamentos tem causado um retrocesso na luta contra a epidemia.

Luiz Carlos Vieira, que faz parte da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+BRASIL), leu uma carta da Rede, onde foram apresentadas propostas para o Congresso Nacional, como a rejeição da criminalização da transmissão do vírus, e aprovação do sigilo ao portador e de medidas que preservem o recurso para aquisição de medicamentos e exames.

“Atualmente nós estamos tendo essa falta de recursos que envolve a falta de disponibilidade de medicamentos. Se a gente não fortalece as pessoas que vivem com Aids, para conscientização da transmissão, fica muito difícil ter o controle da epidemia”, disse Vieira.

Tratamento
O representante do Ministério da Saúde Ivo Brito disse que o principal problema é manter as pessoas no tratamento. Ele ressaltou também que a epidemia assume agora um novo cenário. Segundo ele, a doença cresce em homens entre 14 e 29 anos, muito mais do que no ano passado. Ivo Brito entende que é preciso acertar o passo e focar nesse novo padrão da doença, e que o Legislativo precisa fazer parte da implantação de políticas pelo Ministério.

“Nosso problema hoje é reter as pessoas nos serviços de saúde para que elas possam ter atenção integral. Nós estamos perdendo pessoas e essas pessoas chegam com novas reinfecções (em decorrência da Aids), chegam tardiamente com problemas extremamente graves com relação ao tratamento. (...) Então nós temos que fazer dessa casa um espaço de mobilização, de luta, mas não uma casa vazia como essa, mostrando total descompromisso do Congresso Nacional com relação às pessoas que vivem com HIV/Aids”, afirmou.

Estudo divulgado no ano passado pelo Programa da Organização das Nações Unidas para o combate à doença (Unaids), informa que cerca de 15 pessoas mil morrem por ano no Brasil em razão da Aids. Estima-se que 830 mil brasileiros estejam contaminados pelo vírus.

Invisibilidade
A deputada que pediu a audiência, Erika Kokay (PT-DF), disse que são inúmeros os desafios, e que é preciso se discutir o tema e combater o preconceito com informações.

“A luta para que saísse da invisibilidade, a dor e a Aids ainda na década de 70, na década de 80, ela foi absolutamente fundamental e ela começa quebrando dogmas, quebrando preconceitos que são necessários serem quebrados até o dia de hoje. (..) Muitas pessoas ainda morrem de uma doença que hoje é uma doença evitável, e o óbito também é evitável para as pessoas já identificadas”, afirmou.

Erika Kokay foi uma das idealizadoras do “Dezembro Vermelho”, uma campanha sugerida pelas organizações ligadas ao tema para a realização de atividades de enfrentamento ao HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Reportagem -Leilane Gama
Edição – Roberto Seabra

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